O sistema elétrico brasileiro enfrenta desafios significativos para atender à demanda de energia durante os horários de pico nos próximos cinco anos, especialmente ao final do dia, a menos que sejam realizados leilões de potência de energia. Essa análise é parte do Plano da Operação Energética (PEN 2025), divulgado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) na última terça-feira.
O relatório do ONS aponta que será necessário acionar usinas térmicas flexíveis para suprir a demanda, além de considerar a reintrodução do horário de verão, que foi suspenso anteriormente. Essa possibilidade dependerá de avaliações futuras sobre a capacidade de atender à demanda nos próximos meses.
O documento ainda destaca que a geração de energia no Brasil cresceu, especialmente com o aumento das fontes intermitentes, como solar e eólica. No entanto, essas fontes de geração apresentam limitações à noite, quando a demanda é mais intensa.
Para os próximos anos, projeta-se um acréscimo de 36 GW na capacidade instalada, totalizando 268 GW até 2029. A mini e microgeração distribuída (MMGD) e a energia solar devem representar 32,9% da matriz elétrica do país nesse período, posicionando a fonte solar como a segunda maior em capacidade instalada no Sistema Interligado Nacional.
A transição para uma matriz elétrica mais renovável traz novos desafios operacionais, exigindo maior flexibilidade, principalmente das hidrelétricas e térmicas. O ONS indica que será necessário aumentar o despacho das térmicas no segundo semestre deste ano, especialmente a partir de outubro.
Embora o ONS tenha enfatizado a necessidade de térmicas, não recomenda a inclusão de usinas com baixa flexibilidade no próximo quinquênio, dada a demanda crescente por soluções flexíveis que se adaptem às rápidas mudanças na entrada de energia.
Um leilão para a contratação de potência elétrica, que estava previsto para agosto do ano passado, foi adiado devido a questões judiciais. Embora houvesse a expectativa de realização em junho, o Ministério de Minas e Energia revogou as regras e cancelou a competição destinada a novas usinas de hidrelétricas e térmicas a gás e biocombustíveis. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) afirma que, caso uma nova portaria seja publicada, um novo leilão poderá ser coordenado.
O relatório também destacou a iminente insuficiência de oferta de potência entre 2026 e 2029, com violação dos critérios de confiabilidade. Essa situação exige a realização de leilões anuais de reserva de capacidade, conforme indicado pelos estudos anteriores.
Além disso, a inserção de cargas especiais, como datacenters e produção de hidrogênio verde, requer atenção, pois afetam a disponibilidade de energia devido à alta demanda e baixa flexibilidade operacional, especialmente durante os horários de pico da noite.



