quinta-feira, março 26, 2026
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ONG denuncia distorções em relatório dos EUA sobre direitos humanos

A Human Rights Watch (HRW), uma das principais organizações de direitos humanos globais, criticou o governo dos Estados Unidos pela manipulação de informações em seu relatório anual sobre violações de direitos humanos, publicado na terça-feira (12). O documento aborda diversas situações em países, incluindo o Brasil.

Segundo a HRW, na edição deste ano do relatório do Departamento de Estado, o governo americano, liderado por Donald Trump, teria desconsiderado abusos em nações aliadas, como El Salvador, Hungria e Israel. Para o Brasil e a África do Sul, países que enfrentam críticas por parte da administração Trump, a retirada de dados relevantes indicaria um agravamento das condições de direitos humanos.

A organização questiona a credibilidade do relatório, alegando que omissões significativas quanto a violações de direitos de grupos como mulheres, pessoas LGBTQIA+ e pessoas com deficiência comprometeram sua integridade.

O relatório anual, obrigatório desde 1974, visa auxiliar as relações dos EUA com países que apresentem um histórico de graves violações de direitos humanos.

No que se refere ao Brasil, o documento aponta um agravamento na situação de direitos humanos, citando casos como uma suposta violação à liberdade de expressão relacionada a investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre grupos que atuam na internet desestabilizando o sistema eleitoral. A análise critica a restrição de conteúdo online e a repressão a discursos de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, refletindo a narrativa oficial utilizada para justificar sanções a autoridades brasileiras.

Estudos indicam que a extrema-direita tanto no Brasil quanto nos EUA tem distorcido a realidade dos processos judiciais, alegando censura e perseguições.

Além disso, o relatório toca em investigações envolvendo o ex-presidente Bolsonaro, que teria tentado interferir nas eleições de 2022 e enfrentaría acusações de planejar ações violentas contra autoridades.

Em relação a Israel, o relatório omite informações sobre a deslocação forçada de palestinos na Faixa de Gaza e a utilização de recursos básicos como armas de guerra, além de não mencionar os danos à infraestrutura fundamental da região.

No contexto de El Salvador, apesar das denúncias de prisões arbitrárias e falta de garantias em julgamentos, o relatório do governo dos EUA desconsidera essas violações, afirmando que não há relatos confiáveis sobre abusos significativos. O presidente Nayib Bukele, aliado de Trump, tem mantido uma postura de repressão enquanto recebe ajuda financeira dos EUA.

A Hungria também é citada no relatório, que ignora esforços do governo húngaro para enfraquecer instituições democráticas e restringir a sociedade civil e os direitos de minorias.

Por fim, a situação da África do Sul foi descrita como deteriorada, principalmente em função da aprovação de uma lei que permite desapropriação sem indenização. Essa legislação, segundo o governo, busca corrigir desigualdades históricas decorrentes do apartheid, mas gera preocupações sobre os direitos das minorias.

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