segunda-feira, março 30, 2026
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OMS projeta 35,3 milhões de novos casos de câncer até 2050

A Organização Mundial da Saúde (OMS) projetou um aumento significativo na incidência global de câncer, que deve passar de 20 milhões de novos casos em 2022 para 35,3 milhões até 2050, representando um crescimento de 77%. Essas estimativas indicam uma desigualdade notável na distribuição da doença, com os maiores aumentos previstos para países de baixa e média renda, que estão mal preparados para lidar com esse aumento.

As informações foram apresentadas pela diretora da Agência Internacional para Pesquisa de Câncer da OMS durante um seminário organizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Rio de Janeiro, em comemoração ao Dia Nacional de Combate ao Câncer.

Globalmente, aproximadamente 10 milhões de mortes por câncer ocorrem anualmente, com o câncer de pulmão sendo o mais diagnosticado, correspondendo a 2,5 milhões de casos novos. Na sequência, estão o câncer de mama e o colorretal. Este tipo de câncer é também a maior causa de Mortalidade, resultando em 1,8 milhão de óbitos por ano.

De acordo com a OMS, a presença do câncer é desproporcional em diferentes regiões, com a Ásia, que abriga cerca de 60% da população mundial, representando aproximadamente 50% de todos os casos e 56% das mortes. Isso reflete problemas estruturais em prevenção, diagnóstico e tratamento na região.

A perda de produtividade causada por mortes prematuras de câncer, levando em consideração 36 tipos da doença em 180 países, chega a US$ 566 bilhões, o que equivale a 0,6% do PIB global. As maiores taxas de perda de PIB são observadas nas regiões da África Oriental e Central.

No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) prevê 700 mil novos casos por ano entre 2023 e 2025. A estimativa da OMS aponta que até 2050, o número total de novos casos no país deverá aumentar para 1,15 milhão, representando um crescimento de 83% em relação a 2022. As projeções para óbitos indicam que o total poderá chegar a 554 mil até 2025, um quase dobramento desde 2022.

O subsecretário de Saúde destacou a urgência de discutir essas questões, ressaltando que ações precisam ser implementadas imediatamente para evitar problemas futuros na gestão e controle de casos.

Durante o evento, também foi ressaltada a importância de se abordar o câncer como uma questão prioritária na agenda global de saúde, além da necessidade de melhorar o acesso a novas tecnologias e combater fatores prejudiciais à saúde, como o tabaco e alimentos ultraprocessados.

O diretor-geral do Inca enfatizou que o câncer se tornará a principal causa de morte no Brasil, destacando a necessidade de revisar o conceito de combate à doença, enfatizando a importância do controle, principalmente para populações vulneráveis que enfrentam disparidades decorrentes de gênero, raça e condições econômicas.

O seminário, coordenado por ex-ministros da Saúde e diretores do Inca, é parte de um projeto de pesquisa focado em doenças crônicas e inovações em diagnósticos e tratamentos do câncer, promovendo um debate essencial sobre os desafios e soluções para esta questão de saúde pública.

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