sexta-feira, março 27, 2026
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Óbitos por câncer colorretal devem quase triplicar até 2030

Estimativas apontam que o número de mortes por câncer colorretal no Brasil deve quase triplicar no período entre 2026 e 2030 em comparação com 2001–2005.

Pesquisadores de instituições brasileiras e estrangeiras estimam cerca de 127 mil óbitos pela doença entre 2026 e 2030, contra 57,6 mil no período de comparação. O trabalho foi publicado na revista The Lancet Regional Health Americas.

O aumento projetado é de 181% entre os homens e 165% entre as mulheres. No total, entre 2001 e 2030, as mortes por câncer colorretal devem superar 635 mil no país.

O estudo relaciona o crescimento da mortalidade ao aumento da incidência da doença, associado ao envelhecimento da população e a fatores de risco como consumo elevado de alimentos ultraprocessados e falta de atividade física. Também há indicação de aumento de casos em faixas etárias mais jovens.

Cerca de 65% dos casos são diagnosticados em estágios avançados, segundo os autores. A detecção tardia é atribuída tanto à natureza pouco sintomática da doença no início quanto às dificuldades de acesso à assistência, especialmente em áreas remotas e menos desenvolvidas.

Diante desse cenário, os pesquisadores defendem redução das desigualdades no acesso à saúde e a implementação gradual de um programa de rastreamento, com exames preventivos capazes de identificar a doença ou sinais de alerta antes do aparecimento dos sintomas. O estudo também ressalta a importância do diagnóstico precoce em casos sintomáticos e do tratamento adequado.

Impacto social e econômico

A pesquisa avaliou perdas de anos potenciais de vida e de produtividade. Em média, mulheres que morreram por câncer colorretal perderam 21 anos de vida; homens, 18 anos.

No conjunto de 2001 a 2030, as mortes pela doença representam 12,6 milhões de anos potenciais de vida perdidos e uma perda de produtividade estimada em Int$ 22,6 bilhões. A sigla Int$ refere-se ao dólar internacional, usado para comparar valores entre países considerando o custo de vida local.

Diferenças regionais

As regiões Sul e Sudeste concentram cerca de três quartos das mortes, refletindo maior população e proporção de idosos. Porém, os maiores aumentos relativos na mortalidade e nas perdas de produtividade estão previstos para o Norte e o Nordeste.

Os autores associam esse padrão a piores indicadores socioeconômicos e de infraestrutura nessas regiões, além da adoção crescente de padrões de comportamento nocivos já observados no Sul e Sudeste. Entre os fatores de risco, apenas o tabagismo apresentou redução de prevalência nas últimas décadas.

Os pesquisadores apontam a promoção de estilos de vida saudáveis como estratégia prioritária para prevenir e controlar o câncer colorretal, embora reconheçam os desafios para implementação de políticas públicas nessa área.

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