quinta-feira, março 26, 2026
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Nova tarifa sobre exportações brasileiras começa a valer hoje

Entraram em vigor nesta quarta-feira, dia 6, as tarifas de 50% sobre parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos. A medida, anunciada na semana anterior pelo presidente norte-americano Donald Trump, atinge 35,9% das mercadorias exportadas ao mercado estadunidense, o que corresponde a cerca de 4% das exportações totais do Brasil. Aproximadamente 700 produtos brasileiros estão isentos dessa tarifa.

Os itens mais impactados incluem café, frutas e carnes, enquanto produtos como suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis, assim como seus componentes, estão excluídos da sobrecarga tarifária. Essa nova política de tarifas é parte da estratégia da administração Trump para aumentar os impostos sobre parceiros comerciais, visando reverter a perda de competitividade da economia americana, especialmente em comparação à China.

Trump deu início a essa guerra comercial no dia 2 de abril, instituindo tarifas de acordo com o déficit comercial que os Estados Unidos têm com cada país. Com um superávit em relação ao Brasil, a tarifa inicial foi de 10%. Contudo, em julho, a taxa foi elevada para 50% em retaliação a decisões que, segundo Trump, afetavam empresas de tecnologia dos EUA, além de estar ligada a ações do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Especialistas apontam que essa imposição tarifária pode ser uma manobra política voltada contra o bloco BRICS, visto por Washington como um desafio à sua hegemonia global. A proposta de substituição do dólar nas transações comerciais também é um fator significativo nas tensões atuais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou que o Brasil não pretende desafiar os Estados Unidos, mas que também não aceitaria ser tratado como um país de menor importância. O governo brasileiro está desenvolvendo um plano de contingência para ajudar as empresas afetadas, que deverá ser implementado em breve, incluindo linhas de crédito e possíveis contratos com o governo federal para compensar as perdas nas exportações.

Após a imposição das tarifas, a Secretaria do Tesouro dos Estados Unidos iniciou diálogos com o Ministério da Fazenda do Brasil para discutir as medidas. Neste contexto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou sobre a possibilidade de negociações envolvendo terras raras e minerais críticos, que são fundamentais para a indústria de tecnologia e estão no centro das disputas entre EUA e China.

Haddad também destacou que o setor cafeeiro brasileiro poderia ser beneficiado por um acordo que excluísse o café da lista de produtos tarifados. Coincidentemente, no mesmo dia em que as novas tarifas foram anunciadas, a China autorizou 183 empresas brasileiras a exportar café para o país.

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