segunda-feira, março 30, 2026
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Mulheres com dependência de álcool pedem atenção especial das políticas públicas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou esta semana a Lei 15.281, que estabelece a promoção de assistência multiprofissional específica para mulheres usuárias e dependentes de álcool.

No Brasil, mais de 7% das mulheres adultas têm diagnóstico de alcoolismo. Organizações e especialistas apontam necessidade de serviços públicos direcionados a esse grupo, dada a vulnerabilidade e as particularidades do problema entre mulheres.

Levantamento do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) mostra que as mortes associadas ao consumo de álcool entre mulheres aumentaram 27% entre 2010 e 2023. Ainda segundo o Cisa, cerca de 70% dessas mortes ocorrem entre mulheres pretas e pardas, o que ressalta diferenças sociais que influenciam o impacto da dependência.

Há também diferenças biológicas apontadas pelos especialistas: em geral, as mulheres possuem menor quantidade de água corporal e níveis inferiores de enzimas hepáticas responsáveis pela metabolização do álcool, o que reduz a quantidade de bebida necessária para causar danos. Além disso, fatores sociais — como jornadas de trabalho combinadas com tarefas domésticas, estigmas, e questões relacionadas à gravidez e amamentação — agravam a dificuldade de busca por tratamento.

O Alcoólicos Anônimos (AA) e iniciativas associadas têm ampliado a oferta de espaços voltados a mulheres. A Colcha de Retalhos, projeto que promove atividades e orientações sobre alcoolismo feminino, registrou aproximadamente 6,5 mil contatos por seus canais de ajuda. O AA informou que, comparando os períodos pré e pós-pandemia, as reuniões exclusivamente femininas cresceram 47,7%, chegando hoje a 65 encontros semanais destinados a mulheres.

Casos ilustrativos relatados à reportagem indicam que a busca por grupos de apoio pode ocorrer durante ou após processos de recuperação, quando as mulheres passam a identificar abusos e outros danos sofridos durante o período de consumo compulsivo. Os nomes das fontes foram alterados para preservar o anonimato.

Especialistas e organizações apontam que a implementação da nova lei exigirá definição de estratégias e cronogramas para garantir assistência adequada, bem como atenção às especificidades sociais e biológicas que marcam o alcoolismo entre mulheres.

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