segunda-feira, março 30, 2026
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Mudança no Consumo em Favelas: Além dos Estereótipos de Pobreza

Uma pesquisa abrangente realizada em favelas de todo o Brasil analisou as percepções dos moradores sobre consumo, condições de vida e suas perspectivas futuras. O estudo, realizado com a colaboração de mil voluntários da Central Única das Favelas (Cufa) e com a metodologia do instituto Data Favela, entrevistou cerca de 16 mil pessoas.

Contrariando a imagem tradicional de favelas como locais de pobreza e restrições, os resultados revelaram um ambiente comercial vibrante. A maioria dos entrevistados, 83%, demonstrou preferência por produtos que apresentam qualidade juntamente com preços acessíveis. Além disso, 85% sentiram-se satisfeitos ao juntar recursos para adquirir itens mais caros, enquanto 78% expressaram esforço para comprar produtos que não conseguiram acesso na juventude, ressaltando a visão do consumo como uma conquista e o acesso como um direito.

A pesquisa também abordou a frustração relacionada ao consumo. Cerca de 50% dos participantes relataram já ter enfrentado situações de humilhação por não conseguirem adquirir determinados produtos, enquanto 62% se sentiram excluídos por não dispor de condições financeiras para consumir itens que estão na moda.

A preocupação com a aparência foi outro foco do estudo. Um total de 77% dos entrevistados afirmou se importar com sua aparência, 57% consideraram produtos de beleza essenciais e 37% acreditam que estar bem apresentado pode influenciar positivamente suas condições profissionais.

Referente aos anseios dos moradores, a pesquisa indicou que 19% desejam melhores condições habitacionais, enquanto 18% anseiam por maior acesso a serviços de saúde. Outros 18% priorizaram questões de segurança, com 14% pedindo mais infraestrutura, como redes de esgoto e iluminação. O respeito foi uma prioridade para 9%, enquanto opções de lazer foram mencionadas por 7% e mais escolas por 5%. Quatro por cento dos entrevistados desejam mais opções de transporte, e 5% citaram outros sonhos, com 1% sem definição.

No que diz respeito ao consumo online, a pesquisa revelou que 60% dos moradores de favelas realizam compras pela internet. As plataformas mais utilizadas incluem Shopee, Mercado Livre e Shein, com a Shopee liderando o uso, citada por 40% dos entrevistados.

Quanto às intenções de compra nos próximos seis meses, 70% dos moradores planejam adquirir roupas, 60% desejam adquirir itens de beleza e perfumaria. Produtos de construção e eletrodomésticos foram o foco de 51% dos participantes, enquanto 43% almejam comprar eletrônicos e investir em cursos diversos, incluindo idiomas, citados por 29%.

Por fim, a pesquisa revelou que 60% dos entrevistados enfrentaram atrasos nas entregas, enquanto 20% não receberam suas encomendas devido à falta de identificação do endereço. Metade dos participantes relatou receber mensagens fraudulentas referentes a pedidos, e um terço deles teve experiências com golpes por meio dessas comunicações.

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