quinta-feira, março 26, 2026
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Moto se torna uma opção arriscada para quem perdeu a mobilidade

No início de 2024, Laura Maria de Oliveira, de 59 anos, estava empolgada com seu novo emprego como empregada doméstica, após anos trabalhando como diarista. No dia 1º de março, ela se dirigia ao trabalho em Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro, utilizando uma moto de aplicativo para reduzir seu tempo de viagem. Contudo, durante o trajeto, um carro mudou de faixa sem sinalizar, colidindo com a moto.

Laura ficou internada por 14 dias aguardando cirurgias para tratar fraturas no úmero e na clavícula, além de um reparo no nervo radial. Passado um ano, ela se prepara para um terceiro procedimento para remover uma placa no úmero, que tem comprometido a movimentação do cotovelo. Desde o acidente, não conseguiu retornar ao trabalho.

O crescente uso de motocicletas no Brasil tem levantado preocupações quanto à segurança viária. Especialistas alertam que a popularidade das motos é consequência de um sistema de mobilidade que prioriza os automóveis desde a década de 1950, levando ao colapso da infraestrutura. Além disso, famílias de baixa renda têm recorrido às motos como uma opção de transporte mais acessível, enquanto trabalhadores informais enfrentam jornadas exaustivas e arriscadas.

A frota de motocicletas no Brasil tem crescido significativamente, com um aumento de 42% entre 2015 e 2024, alcançando 35 milhões de unidades. O ano passado registrou um aumento de 18,6% nas vendas de motos, o maior nível desde 2011, com perspectivas de crescimento contínuo nos próximos anos.

Apesar das motas facilitarem a mobilidade, elas também apresentam altos índices de acidentes. Dados do Atlas da Violência 2025 mostram que os motociclistas são as principais vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. O aumento de mortes associadas aos acidentes com motos tem sido alarmante: de 2019 a 2023, o número de vítimas subiu de 11.182 para 13.477.

As medidas necessárias para melhorar a segurança incluem fortalecimentos do transporte público, além de regulamentações mais rigorosas para motoristas de aplicativos. Regras de segurança, como uso de capacete, vestimentas apropriadas e inspeções periódicas nas motos, são essenciais para redução de danos.

O aumento da frota de motocicletas também resulta em um elevado número de atendimentos de emergência. O ministro da Saúde indicou que grande parte das UTIs está preenchida por vítimas de acidentes, muitas delas motociclistas. Ele ressaltou a importância de parcerias com empresas de aplicativo para prevenir infrações de trânsito.

A situação é preocupante. Sem ações efetivas, o aumento das motocicletas pode continuar a refletir não apenas questões de mobilidade, mas também de saúde pública e segurança nas ruas.

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