quarta-feira, abril 1, 2026
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Morre Mino Carta, criador das revistas Veja e Carta Capital

Faleceu nesta terça-feira (2) em São Paulo, o jornalista Mino Carta, aos 91 anos. Ele foi o fundador e diretor de redação da revista Carta Capital, onde deixou uma marca significativa na história do jornalismo brasileiro. Nos últimos anos, Mino enfrentou diversas questões de saúde, com recorrentes internações.

Mino iniciou sua trajetória profissional na revista Quatro Rodas, da editora Abril, apesar de não saber dirigir e não entender muito sobre carros. Natural de Gênova, na Itália, ele se mudou para o Brasil com apenas 13 anos, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Ao longo de sua carreira, Mino lançou e dirigiu importantes publicações, incluindo a revista Veja, em 1968, e a IstoÉ, em 1976, antes de criar a Carta Capital em 1994.

Reconhecida por sua postura progressista, a Carta Capital frequentemente contrastava com outras publicações de viés mais conservador ou liberal, buscando ser uma referência no jornalismo em plataformas diversas.

Entre suas contribuições, Mino também foi um dos fundadores do Jornal da Tarde, em 1966, e do Jornal da República, em 1979. O projeto deste último, realizado em parceria com Claudio Abramo, pretendia aproveitar a abertura política da época, mas não prosperou devido a dificuldades econômicas e políticas, enfrentando resistência de grandes jornais.

Em um pronunciamento nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a morte de Mino, destacando seu papel em trazer à tona as injustiças do regime militar e dar voz aos que buscavam liberdade.

Recentemente, em uma entrevista, Mino criticasse a influência das redes sociais sobre o jornalismo, afirmando que a internet tem limitado a prática profissional e transformado a imprensa em mera refém das plataformas digitais. Ele via essa dinâmica como um entrave ao verdadeiro jornalismo, que deveria buscar a verdade de forma corajosa.

Além disso, Mino Carta fez duras observações sobre o jornalismo empresarial e a dependência da publicidade, comentando sobre as dificuldades financeiras que enfrentou.

Em suas reflexões sobre o futuro do Brasil, Mino demonstrou pessimismo em relação ao país e à profissão, apontando que a situação é resultado de governanças passadas e de uma mentalidade retrógrada que ainda persiste. O termo “Casa-Grande”, usado por ele, refere-se a uma elite escravocrata que moldou a colonização brasileira, um conceito explorado pelo sociólogo Gilberto Freire em sua obra clássica.

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