Multidões foram às ruas de diversas cidades do Irã nesta quinta-feira (9) para marcar o 40º dia desde o assassinato do líder supremo Seyyed Ali Khamenei, morto por bombardeios atribuídos a Israel e aos Estados Unidos no primeiro dia da guerra.
A imprensa estatal e emissoras locais fizeram ampla cobertura das manifestações, que incluíram homenagens a dirigentes políticos e militares mortos ao longo do conflito, além de menções às 168 meninas vítimas do ataque à escola de Minab.
De acordo com a emissora estatal Press TV, procissões partiram da Praça Jomhouri até o local onde Khamenei foi assassinado. Em vídeos divulgados pelas redes de TV iranianas é possível ver milhares de pessoas carregando bandeiras, retratos de lideranças e imagens das vítimas civis.
Autoridades forenses do Irã informaram que mais de 3 mil pessoas foram mortas por ataques israelenses e estadunidenses durante a guerra, e que cerca de 40% dos corpos ainda não foram identificados.
Após a morte de Ali Khamenei, seu filho Mojtaba Khamenei assumiu o cargo de Líder Supremo do país. Khamenei ocupava a posição há 36 anos e integrava o topo da estrutura de poder da República Islâmica, que reúne Executivo, Parlamento e Judiciário, além do Conselho dos Guardiões — composto por 12 membros, metade indicada pelo Líder Supremo e metade pelo Parlamento.
No sistema político iraniano, o Líder Supremo é escolhido pela Assembleia dos Especialistas, formada por 88 clérigos eleitos pelo voto popular. O cargo é vitalício, mas a Constituição prevê a possibilidade de destituição pelo mesmo órgão.
As Forças Armadas respondem diretamente ao Líder Supremo, e não ao poder Executivo. A República Islâmica foi estabelecida em 1979, após a revolução que encerrou 54 anos de governo da dinastia Pahlavi e levou à queda do xá Reza Pahlavi, marcando o início das atuais tensões entre Irã e Estados Unidos.



