**Mercosul Avança em Parcerias Comerciais com Europa**
O Mercosul está buscando expandir suas relações comerciais com a Europa, enquanto aguarda a aprovação de um acordo de livre comércio com a União Europeia. Em um recente avanço, o bloco sul-americano firmou um tratado com Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, países que integram a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA).
Esse novo acordo cria um mercado conjunto de 290 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) que soma cerca de US$ 4,39 trilhões. A negociação entre as partes teve início em 2017 e, após 14 rodadas de conversas, os termos foram finalizados em junho de 2025, durante a presidência rotativa da Argentina no Mercosul.
A cerimônia de assinatura do tratado ocorreu no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, onde o Brasil exerce a presidência temporária do bloco, que inclui Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Venezuela, além de países associados como Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Peru e Suriname.
O evento, que contou com a presença de ministros e diplomatas, destacou a importância da integração global em um contexto de crescente protecionismo, especialmente com políticas implementadas pelos Estados Unidos.
O vice-presidente do Brasil e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apresentou o acordo como um passo significativo em direção ao fortalecimento do multilateralismo e do comércio livre. Também foram mencionados os potenciais benefícios sociais e econômicos que a parceria poderá gerar.
Em resposta a questionamentos sobre tarifas que afetam o comércio, o vice-presidente enfatizou a necessidade de diálogo. Recentemente, os Estados Unidos retiraram a celulose da lista de produtos tarifados, o que foi interpretado como um sinal positivo.
Durante o evento, o ministro das Relações Exteriores ressaltou que as negociações com a EFTA foram marcadas por colaboração e persistência, reafirmando o compromisso do Brasil com regras de comércio internacional que promovem o crescimento econômico.
Os quatro países da EFTA têm uma população de 15 milhões e um PIB de US$ 1,4 trilhão, com PIB per capita escalando para patamares elevados, destacando a riqueza da Suíça e Liechtenstein. O acordo prevê a eliminação de 100% das tarifas de importação nos setores industrial e pesqueiro, aumentando a competitividade para os produtos do Mercosul em novos mercados.
Além da troca de produtos agrícolas, como carnes e grãos, o tratado também inclui áreas como investimentos, propriedade intelectual, e medidas sanitárias. Há, inclusive, um compromisso com a sustentabilidade, exigindo que provedores de serviços digitais usem uma matriz elétrica com pelo menos 67% de energia limpa.
Ainda assim, o acordo não entrará em vigor imediatamente, pois precisa passar por trâmites como tradução e aprovação no Congresso Nacional brasileiro.
O governo brasileiro sinalizou o interesse em concluir novas negociações, incluindo tratativas com os Emirados Árabes Unidos e a retomada de diálogos com o Canadá. O Mercosul também firmou um acordo de livre comércio com Singapura em 2023.
No que diz respeito ao acordo com a União Europeia, as autoridades brasileiras expressaram otimismo em relação à sua aprovação ainda este ano, após cerca de 25 anos de negociações. A parceria tem o potencial de formar um mercado de mais de 700 milhões de pessoas e representa 26% da economia global.
Os países europeus, como Alemanha e Espanha, veem o acordo como uma oportunidade de abrir mercados para seus produtos, enquanto a França tem mostrado resistência, citando preocupações ambientais. O presidente brasileiro refutou as críticas, afirmando que a França busca proteger seus interesses agrícolas.
O cenário continua dinâmico, com a expectativa de que os próximos passos em direção ao comércio global se desenrolem em um momento de incertezas econômicas.



