A assinatura do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, prevista para este sábado (20), foi adiada para janeiro, segundo anunciou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a abertura da Cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu.
A cúpula encerra a presidência rotativa do Brasil no bloco, que passará ao Paraguai nos próximos seis meses. A data deste sábado havia sido apontada pelas lideranças europeias para a formalização do tratado.
Autoridades europeias pediram mais tempo para discutir medidas adicionais de proteção ao setor agrícola, informou a Presidência. A Comissão Europeia e o Conselho Europeu enviaram carta manifestando expectativa de que o acordo seja aprovado em janeiro. Fontes governamentais também relataram diálogo com o governo italiano, que teria sinalizado disponibilidade para a assinatura no início de janeiro.
A França mantém posição contrária ao acordo por preocupações com a competitividade agrícola, mas representantes europeus indicaram que a oposição isolada de um país não deve impedir a conclusão do tratado. Há expectativa de que a assinatura ocorra já no primeiro mês da presidência paraguaia, possivelmente por Santiago Peña.
Histórico
Negociado desde 1999, o acordo UE-Mercosul engloba um mercado de cerca de 722 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto conjunto estimado em US$ 22 trilhões. Em 2019 foram anunciados os termos gerais do pacto. No ano passado, em Montevidéu, foi estabelecida uma parceria que permitiu a elaboração dos textos finais do tratado.
Outras frentes de comércio
Na abertura da cúpula, o governo brasileiro reafirmou a intenção de ampliar acordos do Mercosul com outros parceiros. Entre as iniciativas citadas estão negociações com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), cujo PIB conjunto aproxima-se de US$ 1,5 trilhão; a ampliação do acordo com a Índia; avanços com os Emirados Árabes Unidos; a retomada das tratativas com o Canadá; e negociações em curso com Japão e Vietnã.
Também está na pauta a busca por maior integração regional. Há negociações com o Panamá e propostas de atualização de acordos com Colômbia e Equador. O comércio intrarregional sul-americano equivale hoje a cerca de 15% do fluxo comercial, nível bem inferior aos aproximadamente 60% observados em regiões como Ásia e Europa. A inclusão dos setores sucroalcooleiro e automotivo nas regras do Mercosul foi apontada como medida que pode contribuir para elevar esse percentual.



