O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, na segunda-feira (7), que o Brics não é uma alternativa hostil, mas sim uma nova abordagem para a política global. As afirmações foram feitas após a conclusão da 17ª Cúpula de Líderes do grupo, que ocorreu durante dois dias no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro.
Lula destacou a importância do multilateralismo e criticou a atual estrutura de governança mundial, mencionando o Fundo Monetário Internacional (FMI) por impor medidas de austeridade a países em desenvolvimento, o que, segundo ele, prejudica a recuperação econômica desses nações. Ele mencionou que esse modelo tem levado nações à falência, tornando suas dívidas cada vez mais insustentáveis.
Além disso, o presidente brasileiro questionou a composição do Conselho de Segurança da ONU, que possui apenas cinco membros permanentes com poder de veto: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido. Ele enfatizou a necessidade de mudanças na governança global, citando o aumento de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial e criticando a falta de autorização para ações militares.
A declaração final do Brics expressou apoio da China e da Rússia às aspirações do Brasil e da Índia por maior representação no Conselho de Segurança. O Brasil já exerceu uma presidência rotativa, mas sem poder de veto.
Lula também condenou a ofensiva de Israel na Faixa de Gaza, classificando as ações como genocídio e destacando o impacto sobre civis, especialmente mulheres e crianças.
Composta por 11 países-membros e 10 parceiros, o Brics tem como objetivo expandir suas fileiras, como apontou Lula, que se referiu ao grupo como uma “metamorfose ambulante”.
O presidente abordou também a possibilidade de transações comerciais em moedas locais, em vez de depender do dólar americano. Reconheceu que mudanças nesse modelo são desafiadoras, mas reforçou que é essencial buscar alternativas para a moeda padrão, um processo que requer diálogo entre os bancos centrais envolvidos.
Atualmente, os países que compõem o Brics são: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia, formando um bloco que representa 39% da economia global e 48,5% da população mundial. Os países parceiros, que incluem Belarus, Bolívia e Vietnã, não têm direito a voto. A presidência do grupo é rotativa, com o Brasil passando a liderança para a Índia em 2026.



