sábado, março 28, 2026
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Lula critica intervenção dos EUA na Venezuela e defende multilateralismo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou neste domingo (18) um artigo no jornal The New York Times em que aborda a sequência de ações militares dos Estados Unidos em solo venezuelano e a captura do presidente venezuelano ocorridas no início de janeiro.

No texto, o chefe do Executivo aponta que esses episódios representam uma erosão do direito internacional e do sistema multilateral estabelecido após a Segunda Guerra Mundial. Ele também questiona a atuação de grandes potências diante da autoridade da Organização das Nações Unidas e do Conselho de Segurança.

Lula afirma que a aplicação seletiva das normas internacionais compromete o funcionamento do sistema global e prejudica a construção de sociedades livres, inclusivas e democráticas. O presidente reconhece, porém, que líderes podem ser responsabilizados por atos que atentem contra a democracia e os direitos fundamentais, e alerta contra medidas unilaterais tomadas por outros Estados.

O artigo relaciona impactos dessas intervenções unilaterais à instabilidade global, citando efeitos sobre comércio, investimentos, fluxos de refugiados e a capacidade dos países de enfrentar o crime organizado e desafios transnacionais. Lula destaca preocupação específica com a aplicação dessas práticas na América Latina e no Caribe.

Na avaliação do presidente, a região — que reúne mais de 660 milhões de habitantes — tem interesses próprios e busca relações exteriores pautadas pela soberania e autodeterminação. Ele afirma ainda que, segundo seu entendimento, trata‑se da primeira ocorrência, em mais de 200 anos de história independente, de um ataque militar direto dos Estados Unidos à América do Sul.

O artigo defende a elaboração de uma agenda regional voltada ao desenvolvimento econômico e à integração, com atração de investimentos em infraestrutura física e digital, geração de empregos de qualidade, aumento de renda e expansão do comércio intrarregional e com parceiros externos. A cooperação entre países é apontada como condição para enfrentar fome, pobreza, tráfico de drogas e mudanças climáticas.

Sobre a Venezuela, Lula disse que o futuro do país deve ser definido pelo próprio povo venezuelano e que somente um processo político inclusivo conduzido por venezuelanos pode assegurar um retorno à democracia sustentável.

Em termos práticos, o presidente afirmou que o Brasil continuará a trabalhar com o governo e com a população venezuelana para proteger a fronteira comum, de mais de 1.300 quilômetros, e aprofundar a cooperação bilateral.

Ao tratar das relações com os Estados Unidos, Lula classificou Brasil e EUA como as duas democracias mais populosas do continente e defendeu a busca por iniciativas conjuntas em investimento, comércio e combate ao crime organizado como forma de enfrentar os desafios regionais.

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