quinta-feira, março 26, 2026
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Lula afirma que o Sul Global pode transformar a lógica econômica mundial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, na madrugada deste domingo (22), a união de países em desenvolvimento — em especial do chamado Sul Global — como instrumento para alterar a lógica econômica internacional. A declaração foi feita em entrevista coletiva pouco antes do término da visita oficial à Índia e da partida para a Coreia do Sul.

Lula ressaltou as dificuldades históricas enfrentadas por nações menos desenvolvidas nas negociações com potências econômicas e citou Índia, Brasil e Austrália como exemplos de países que deveriam somar esforços em negociações multilaterais.

No discurso, ele relacionou a proposta à experiência colonial de cinco séculos e à persistente dependência tecnológica e econômica, defendendo a construção de parcerias entre países com interesses semelhantes para aumentar poder de barganha e capacidade de desenvolvimento.

Sobre o BRICS, o presidente avaliou que o bloco avança na construção de uma nova lógica econômica mundial e vem adquirindo maior protagonismo. Ele ressaltou que o grupo já criou um banco de desenvolvimento e que busca consolidar sua atuação, com possibilidade de maior integração ao G20 e iniciativas regionais de cooperação econômica.

Lula negou que haja intenção de criar uma moeda única do BRICS, mas confirmou apoio a acordos comerciais que utilizem moedas nacionais para reduzir dependências e custos nas trocas entre os países do bloco.

No plano internacional, o presidente defendeu o multilateralismo e a necessidade de fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), apontando a necessidade de maior legitimidade e eficácia da instituição para lidar com crises como as ocorridas na Venezuela, em Gaza e na Ucrânia. Segundo a agenda apresentada, a representatividade da ONU é condição para sua capacidade de mediar conflitos e preservar a ordem internacional.

Em relação aos Estados Unidos, Lula afirmou que parcerias são possíveis caso haja interesse norte-americano em combater organizações criminosas transnacionais, como redes de narcotráfico. Também colocou como prioridade a construção de cooperação da Polícia Federal com outros países e a busca por mecanismos para extradição de criminosos brasileiros que atuam no exterior.

O presidente pediu que a atuação dos Estados Unidos na América do Sul e no Caribe seja pautada pelo respeito, considerando a região pacífica e sem armas nucleares, com objetivos de crescimento econômico e geração de emprego. Esse tema deve constar da agenda de um encontro previsto com o presidente dos EUA, Donald Trump.

Sobre decisão recente da Suprema Corte dos Estados Unidos relacionada a tributações, Lula afirmou que não cabe ao presidente do Brasil julgar decisões de cortes de outros países.

Na Índia, Lula teve encontros com o primeiro-ministro Narendra Modi e com empresários locais. As conversas focaram no fortalecimento das relações comerciais e no aprofundamento da cooperação econômica entre os dois países. Empresários indianos manifestaram intenção de ampliar investimentos no Brasil, segundo a comitiva presidencial.

O governo brasileiro confirmou abertura para que empresas estrangeiras atuem na exploração de minerais críticos e terras raras, desde que o processo de transformação e agregação de valor ocorra em território nacional. A medida visa evitar a repetição do modelo de exportação de minérios sem beneficiamento que marcou a exploração de minério de ferro no país.

A viagem à Ásia começou na terça-feira (17) e inclui visitas oficiais à Índia e à Coreia do Sul com foco em comércio e parcerias estratégicas. Em Nova Delhi, a recepção foi realizada em retribuição à visita do primeiro-ministro indiano ao Brasil durante a Cúpula do BRICS em julho de 2025. Foi a quarta viagem de Lula à Índia e a segunda desde o início do atual mandato.

No domingo (22), o presidente e a comitiva desembarcaram em Seul, a convite do presidente sul-coreano Lee Jae Myung. A visita marca a terceira passagem de Lula pela Coreia do Sul — a primeira como visita de Estado — e prevê a adoção do Plano de Ação Trienal 2026-2029, com o objetivo de elevar o relacionamento bilateral a uma parceria estratégica.

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