A Corte de Apelação da Itália autorizou a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, segundo confirmação da Embaixada do Brasil em Roma. A decisão ainda pode ser alvo de recurso antes da deliberação final pelo governo italiano.
Em maio do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Zambelli a dez anos de prisão e à perda do mandato por ser considerada a mentora da invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ocorrida em janeiro de 2023. Na ação, foi inserido um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. As investigações apontaram que o hacker Walter Delgatti executou a invasão e foi condenado por participação no caso.
Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil no início de junho e permaneceu foragida por quase dois meses. No fim de julho, ela foi detida na Itália em operação conjunta com a Polícia Federal brasileira, com base em um alerta vermelho da Interpol. Possuidora de dupla cidadania, buscava evitar o cumprimento do mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes.
A ex-parlamentar foi encaminhada à penitenciária feminina de Rebibbia, nos arredores de Roma. A defesa solicitou transferência para prisão domiciliar ou liberdade condicional, alegando problemas de saúde e falta de assistência médica na unidade; os pedidos foram rejeitados pela Corte de Apelação.
No Brasil, Zambelli sofreu nova condenação pelo STF em processo separado: porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com uso de arma de fogo ao perseguir nas ruas de São Paulo o jornalista Luan Araújo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. A pena fixada nesse julgamento foi de cinco anos e três meses de prisão.
Em fevereiro deste ano, a defesa tentou substituir os juízes que analisavam o caso em Roma por suposta parcialidade, mas o pedido foi negado.



