sábado, março 28, 2026
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Justiça determina bloqueio de ações do BRB relacionadas ao Banco Master

A Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio e o arresto de ações do Banco de Brasília (BRB) pertencentes a investigados na Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master.

A liminar foi concedida pela 13ª Vara Cível do DF após pedido do próprio BRB. A medida alcança participações acionárias avaliadas em cerca de R$ 376,4 milhões e impede a alienação desses ativos. O processo corre sob sigilo.

O BRB comunicou o ajuizamento do pedido por meio de fato relevante. O bloqueio recai sobre ações vinculadas a pessoas físicas, fundos de investimento — entre eles Deneb Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, Borneo, Siracusa, Delta e Asterope — e empresas como Blue Solutions Asset Management e Casamata Administração e Participações.

Reportagens indicam que empresários ligados ao Banco Master — incluindo Daniel Vorcaro, Maurício Quadrado, Nelson Tanure e João Carlos Mansur — passaram a integrar a base acionária do BRB após aquisições realizadas por intermédio de terceiros. Com essas movimentações, o grupo Master/Reag teria chegado a deter cerca de 25% do capital do banco público do Distrito Federal.

O BRB moveu uma tutela cautelar com pedido liminar para bloqueio e arresto das participações societárias dos réus no próprio BRB, com o objetivo de viabilizar eventual ressarcimento de prejuízos relacionados a operações envolvendo o Banco Master, atualmente em liquidação extrajudicial. No processo, a instituição apontou que a entrada desses empresários no capital social ocorreu de forma irregular.

A instituição também encaminhou à Polícia Federal um relatório preliminar de sua investigação interna. A apuração é conduzida pelo escritório Machado Meyer, com apoio da consultoria Kroll.

Investigações e prejuízos

O BRB é alvo de apurações sobre a compra de mais de R$ 12 bilhões em carteiras do Banco Master, operação que apresenta indícios de fraude. Há estimativa inicial de prejuízo de ao menos R$ 5 bilhões, valor que deverá ser confirmado com a divulgação do balanço previsto para março.

Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero. Na ocasião, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado pela Justiça e posteriormente demitido.

Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central rejeitou a proposta de compra do Banco Master pelo BRB, após mais de cinco meses de análise. A operação contemplava a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Master. O negócio, anunciado em março de 2025, já enfrentava resistência no mercado devido ao modelo de captação considerado arriscado e à qualidade questionável de parte dos ativos adquiridos.

O Ministério Público Federal havia recomendado que o BRB comprovasse a idoneidade e a fidedignidade dos ativos antes de concluir a operação, alertando para riscos de passivos ocultos e ativos inflacionados.

Com a rejeição do Banco Central e o avanço das investigações, o BRB busca recompor liquidez e índices de capitalização, além de assegurar, por via judicial, o eventual ressarcimento dos prejuízos identificados.

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