quinta-feira, março 26, 2026
InícioPolíticaJulho Âmbar: Mês de Conscientização e Apoio ao Luto Parental

Julho Âmbar: Mês de Conscientização e Apoio ao Luto Parental

História de Amor e Luto: A Experiência de Marcela Albres

No mês de Julho Âmbar, Marcela Albres, uma jornalista de 39 anos, relembra a trajetória de seu filho Felipe, que, após nascer com cardiopatias congênitas, faleceu 31 dias depois, após intensa luta em uma UTI. Essa narrativa sobre perda e amor oferece uma reflexão sobre a realidade enfrentada por muitos pais enlutados.

A gestação de Felipe começou de maneira tranquila, mas logo no primeiro trimestre, um exame revelou anormalidades no batimento cardíaco. Uma ultrassonografia morfológica confirmou a grave condição: ele tinha apenas metade do coração. O diagnóstico definitivo ocorreu na 24ª semana de gestação, impactando profundamente a família.

Felipe foi concebido após três anos de tentativas e procedimentos de fertilização in vitro. A decisão da família foi optar por um parto em São Paulo, onde ele poderia ser operado imediatamente após o nascimento. Ao nascer, Felipe apresentou-se com dificuldade, sendo levado rapidamente para a UTI, onde permaneceu por três dias antes de ser submetido a uma cirurgia. Embora o procedimento tenha sido bem-sucedido, ele necessitou de suporte mecânico para sobrevivência, enfrentando altos e baixos durante a internação.

Após 31 dias em tratamento, Felipe não resistiu e faleceu, deixando a família com a dor de um sonho interrompido. A perda impactou a vida de Marcela, motivando-a a compartilhar sua experiência e a escrever um livro sobre luto e esperança. Sua obra, Até sempre, meu filho!, foi lançada no dia em que Felipe teria completado um ano, como uma forma de homenagem.

Após Felipe, Marcela e seu marido Renato foram abençoados com mais dois filhos, Matheus e Thiago. No entanto, a memória de Felipe permanece viva em suas vidas. Marcela reflete sobre a falta de compreensão da sociedade em relação à morte e à necessidade de acolher aqueles que enfrentam o luto. Ela destaca que a dor da perda é natural e que o luto deve ser vivido para que a saudade possa florescer.

A situação das maternidades é outro ponto abordado por Marcela. Ela critica a falta de suporte para mulheres que perderam seus filhos, que frequentemente permanecem internadas ao lado de mães com bebês saudáveis. Isso, segundo ela, ainda não é amplamente discutido na sociedade. O Brasil possui diretrizes do Ministério da Saúde que visam a humanização do parto e o cuidado a mulheres que enfrentam luto perinatal, além de um projeto de lei em tramitação que busca assegurar a separação dessas mães em áreas distintas dentro das maternidades.

A história de Marcela, Renato e Felipe ilustra um amor que transcende a vida e a urgência de reconhecer e acolher as famílias que sofrem com a perda de um filho.

Julho Âmbar e a Conscientização do Luto Parental

Iniciativas como o Julho Âmbar ressaltam a necessidade de empatia em relação ao luto parental, uma dor profunda e frequentemente incompreendida. Este mês foi criado em Mato Grosso do Sul para aumentar a conscientização e promover políticas públicas voltadas a famílias que perderam filhos.

Em 2023, através da Lei Estadual nº 6.147, Julho Âmbar foi inserido no Calendário Oficial do estado com o objetivo de sensibilizar a sociedade sobre o luto parental. Essa legislação, proposta pelo deputado estadual Lucas de Lima, busca apoiar mães e pais enlutados, promovendo troca de experiências e capacitação de profissionais de saúde e educação para lidar com essa dor de forma adequada.

A lei também prevê a divulgação de informações e a realização de atividades de apoio às famílias que enfrentam essa realidade. O Julho Âmbar procura oferecer espaços de escuta e assistência psicológica, além de celebrar a memória dos filhos que partiram.

Dados sobre Mortalidade Infantil

Conforme dados de 2024 do Governo de Mato Grosso do Sul, a taxa de mortalidade infantil foi de 13,09 por mil nascidos vivos, com 997 óbitos entre 76.146 nascimentos. As principais causas de morte incluíram problemas relacionados ao parto e malformações congênitas. O cenário se manteve desafiador, com 359 mortes registradas em 2025 até o momento, o que representa uma taxa de 12,20 por mil.

Estatísticas de 2023 também revelaram que a taxa de mortalidade infantil no estado foi de 13,55 por mil, superando a média nacional de 12,5. Entretanto, o Brasil viu a menor taxa de mortalidade infantil por causas evitáveis nos últimos 28 anos, com números contabilizando 20,2 mil mortes naquele ano.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES