quinta-feira, abril 9, 2026
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Irã ameaça romper trégua após ataques israelenses ao Líbano

O Irã ameaçou romper o cessar-fogo e retaliar Israel após novos bombardeios contra o Líbano registrados nesta quarta-feira (8). Fontes do governo iraniano disseram a agências locais que Teerã avalia retomar ataques em resposta ao que considera violação do acordo.

Mídia estatal iraniana informou que autoridades de segurança apontaram para a possibilidade de uma ofensiva defensiva em larga escala e solicitaram a intervenção de países mediadores. O Irã exige que o cessar-fogo inclua todas as frentes de combate, citando o Líbano e a Faixa de Gaza, ambos alvos de ataques israelenses nos últimos 40 dias.

Em publicações nas redes sociais, o porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano defendeu a suspensão do cessar-fogo e a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz. As Forças Armadas do Irã comunicaram que manterão um controle “inteligente” sobre o estreito, sem detalhar medidas. O canal é estratégico: por ali passam cerca de 20% do petróleo e gás mundial. A reabertura do estreito por duas semanas foi uma das condições do acordo entre Estados Unidos e Irã.

Em reação, o primeiro-ministro israelense manifestou apoio ao pacto mediado pelos EUA, mas indicou que o Líbano ficaria fora do cessar-fogo. As Forças de Defesa de Israel (FDI) relataram ter atingido 100 alvos em dez minutos no sul do Líbano e em Beirute.

O Ministério da Saúde do Líbano informou que, em contagem preliminar, os ataques de hoje provocaram dezenas de mortes e centenas de feridos. Imagens que circulam mostram prédios destruídos no centro da capital. O grupo Hezbollah orientou que deslocados não retornem às suas residências até que um cessar-fogo seja oficialmente decretado no país.

O primeiro-ministro libanês criticou as ofensivas contra bairros residenciais e ressaltou o desprezo pelas normas do direito internacional e humanitário. O primeiro-ministro do Paquistão, que atuou como mediador do frágil cessar-fogo entre Irã e EUA, afirmou que a violação do acordo compromete o processo de paz e pediu moderação para que a trégua de duas semanas permita avanços diplomáticos.

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, a atual fase do conflito, iniciada em 2 de março, já deixou mais de 1,5 mil mortos e cerca de 4,8 mil feridos. Foram registradas destruições em 93 unidades de saúde e 57 profissionais da área foram mortos. Mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas durante o período.

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