sexta-feira, março 27, 2026
InícioEconomiaIPCA volta à meta do governo após inflação de 0,18% em dezembro

IPCA volta à meta do governo após inflação de 0,18% em dezembro

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou novembro em 0,18%, segundo dados divulgados pelo IBGE. No acumulado em 12 meses, o índice ficou em 4,46%.

Com isso, a inflação anual retorna ao limite superior da meta do governo, que é de até 4,5% nos 12 meses. O IPCA havia ficado 13 meses fora da faixa de tolerância. Em outubro o acumulado em 12 meses era 4,68% e, em abril, havia alcançado 5,53%.

O resultado de novembro é o menor para o mês desde 2018, quando o IPCA registrou -0,21%. Em outubro a variação mensal foi 0,09%.

A alta das passagens aéreas — 11,9% em novembro — foi o principal responsável pela aceleração do índice entre outubro e novembro, com impacto de 0,07 ponto percentual no IPCA do mês.

Comportamento por grupos (variação mensal e contribuição em pontos percentuais)
– Alimentação e bebidas: -0,01% (0,00 p.p.)
– Habitação: 0,52% (0,08 p.p.)
– Artigos de residência: -1,00% (-0,03 p.p.)
– Vestuário: 0,49% (0,02 p.p.)
– Transportes: 0,22% (0,04 p.p.)
– Saúde e cuidados pessoais: -0,04% (0,00 p.p.)
– Despesas pessoais: 0,77% (0,08 p.p.)
– Educação: 0,01% (0,00 p.p.)
– Comunicação: -0,20% (-0,01 p.p.)

Dentro de despesas pessoais, hospedagem subiu 4,09% em novembro, pressionada por um aumento de 178% nos preços em Belém durante a realização da COP30, o que elevou a demanda por acomodações na cidade.

A energia elétrica residencial teve alta de 1,27% no mês, com impacto de 0,05 ponto percentual. Reajustes tarifários em concessionárias de Goiânia, Brasília, São Paulo e Porto Alegre ajudaram nesse movimento. A conta de luz é o item que mais contribuiu para a inflação no ano e nos últimos 12 meses: no acumulado do ano houve alta de 15,08% e, em 12 meses, 11,41%. Da variação de 4,46% do IPCA em 12 meses, 0,46 ponto percentual é explicado pela energia elétrica.

Entre os itens do grupo alimentação e bebidas que mais contribuíram para reduzir a inflação em novembro estão leite longa vida (-4,98%), tomate (-10,38%), arroz (-2,86%) e café moído (-1,36%).

A meta oficial de inflação é 3% em 12 meses, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que estabelece um teto de 4,5%. Desde o início de 2025, a avaliação considera os 12 meses imediatamente anteriores, e o cumprimento da meta é verificado mensalmente, sendo considerado descumprido caso o limite de tolerância seja ultrapassado por seis meses consecutivos.

A última sondagem Focus, divulgada pelo Banco Central, projeta inflação de 4,40% para 2025.

A mudança na bandeira tarifária de novembro (vermelha nível 1) para dezembro (amarela) também reduz o custo extra na conta de luz: na bandeira amarela o acréscimo é de R$ 1,885 a cada 100 kWh; na vermelha nível 1 era R$ 4,46 por 100 kWh.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve anunciar a taxa Selic na noite desta quarta-feira. A taxa está em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006, e a trajetória de alta teve início em setembro do ano passado como resposta ao cenário inflacionário. Juros elevados encarecem o crédito e tendem a reduzir consumo e investimentos, atuando na contenção da inflação.

Na decomposição do IPCA, o grupo de serviços registrou variação de 0,60% em novembro, enquanto os preços monitorados ficaram em 0,21%.

O IPCA calcula o custo de vida de famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. A pesquisa cobre 377 subitens e coleta preços em dez regiões metropolitanas (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre), além de Brasília e das capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. O salário mínimo vigente considerado na pesquisa é R$ 1.518.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES