quinta-feira, março 26, 2026
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Instituto Butantan produzirá medicamento oncológico para o SUS

O Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana MSD firmaram parceria para que o laboratório público passe a produzir o pembrolizumabe, medicamento avançado contra o câncer, destinado a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O acordo decorre de um edital lançado em 2024 pelo Ministério da Saúde.

O pembrolizumabe é uma terapia imunológica que ajuda o organismo a identificar e combater células tumorais. Trata-se de uma alternativa menos tóxica que a quimioterapia tradicional e com eficácia comprovada em diferentes indicações.

Atualmente o medicamento já é adquirido pelo Ministério da Saúde diretamente da MSD e utilizado no SUS para tratamento de alguns casos de melanoma metastático. O atendimento chega a cerca de 1,7 mil pacientes por ano, com custo anual estimado em R$ 400 milhões.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) analisará a inclusão do pembrolizumabe em protocolos para câncer de colo do útero, esôfago, câncer de mama triplo-negativo e câncer de pulmão. A MSD projeta que, com essas incorporações, a demanda possa chegar a cerca de 13 mil pacientes ao ano.

O contrato entre Butantan e MSD prevê transferência gradual de tecnologia, com objetivo de reduzir custos, garantir prioridade no fornecimento e desenvolver capacidade tecnológica nacional. A produção local também busca diminuir o risco de desabastecimento causado por interrupções em cadeias logísticas internacionais.

Segundo o cronograma do projeto, a transferência terá início após a aprovação das novas indicações no SUS e será implementada de forma faseada ao longo de dez anos. As etapas iniciais contemplam rotulagem e envase, seguidas por formulação e, por fim, produção integral do medicamento. A produção do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) em território nacional pode levar até oito anos.

A iniciativa faz parte de um edital voltado à cooperação entre entidades privadas, públicas e científicas, com a meta de nacionalizar 70% dos insumos de saúde utilizados pelo SUS em até 10 anos.

O anúncio da parceria foi realizado durante o evento Diálogo Internacional — Desafios e Oportunidades para a Cooperação em Tecnologias em Saúde, no Rio de Janeiro. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou da abertura de forma remota.

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