sexta-feira, março 27, 2026
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Homem morre em protesto em Minneapolis após intervenção de agentes do ICE

Um homem de 37 anos, baleado por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), morreu neste sábado (24) em Minneapolis após ser levado ao hospital. Segundo autoridades locais, ele era morador da cidade e cidadão norte-americano. O episódio ocorre em meio a protestos contra operações federais de imigração em Minnesota.

O governador do estado cobrou à Casa Branca o fim imediato das ações federais em Minnesota e classificou o caso como grave.

O Departamento de Segurança Interna dos EUA informou que a ação era uma operação direcionada para localizar um imigrante em situação irregular. De acordo com o órgão, a vítima estava armada com uma pistola semiautomática e dois carregadores e teria reagido de forma violenta, levando um agente a atirar alegando risco à própria vida.

Circulam nas redes sociais vídeos não confirmados em que agentes com coletes identificados como “Police” imobilizam uma pessoa no chão antes dos disparos. O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, disse que o caso foi comunicado à corporação por volta das 9h (horário local) e que, aparentemente, a vítima possuía porte de arma autorizado pela legislação estadual.

Líderes democratas e o prefeito de Minneapolis criticaram a operação. A cidade vive clima de tensão desde o início do mês, quando outra ação do ICE resultou na morte de Renee Good, também cidadã norte-americana de 37 anos, fato que gerou protestos e investigações.

O presidente dos EUA utilizou as redes sociais para atribuir responsabilização a autoridades locais, elogiar agentes do ICE e questionar a condução dos fatos pelas autoridades estaduais. Em publicações, compartilhou imagem atribuída à arma do homem morto.

Repercussão internacional

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu investigação sobre possíveis violações de direitos humanos relacionadas às políticas migratórias dos EUA. Segundo a entidade, medidas recentes teriam causado abusos rotineiros, detenções arbitrárias e práticas que fragilizam famílias.

A ONU relatou ocorrências de detenções em locais sensíveis, como hospitais, igrejas, escolas, tribunais e residências, e apontou casos em que pessoas foram observadas e detidas com base apenas na suspeita de serem imigrantes sem documentação. Entre os episódios citados está a detenção, em 20 de janeiro, de um menino de cinco anos junto ao pai em Minneapolis; ambos teriam sido levados para um centro de detenção no Texas, segundo o advogado da família.

O alto comissariado também manifestou preocupação com o uso potencialmente desproporcional da força nas operações, lembrando que o direito internacional admite o emprego intencional de força letal apenas como último recurso diante de ameaça iminente à vida.

A avaliação da ONU destaca ainda a falta de acesso oportuno à assistência jurídica para detidos e a ausência de avaliações individualizadas nos processos de prisão e deportação, o que comprometeria a preservação da unidade familiar e exporia crianças a riscos graves.

Pedido de apuração e números

A organização solicitou uma investigação independente e transparente sobre o aumento no número de mortes sob custódia do ICE. Foram citados ao menos 30 óbitos em 2025 e seis neste ano.

As operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA se intensificaram nos últimos meses, com milhares de agentes federais mobilizados para ações em grandes cidades, o que tem incentivado protestos e críticas de autoridades locais em diversos pontos do país.

Texto atualizado às 16h38.

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