O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou hoje a criação de uma delegacia dedicada ao combate a crimes contra o sistema financeiro. A iniciativa ocorre simultaneamente à Operação Spare, que é um desdobramento da Operação Carbono Oculto. Esta operação investiga uma organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro através de postos de combustíveis e fintechs, além de atividades ligadas a jogos de azar.
Haddad destacou que a nova delegacia tem como objetivo enfrentar de forma estruturada o crime organizado, especialmente a interface entre esse tipo de crime e a economia legal. Ele também informou que a proposta para a delegacia será enviada nas próximas semanas ao Ministério de Gestão e Inovação, e que a unidade será integrada ao organograma da Receita Federal.
A Operação Spare foi desencadeada após investigações sobre movimentações financeiras suspeitas das empresas implicadas nas fraudes. Os dados indicam que essas empresas movimentaram R$ 4,5 bilhões, mas pagaram tributos correspondentes a apenas 0,1% desse total, o que levou a Receita a investigar mais a fundo.
Durante a operação, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão. As ações resultaram na apreensão de quase R$ 1 milhão em dinheiro, 20 celulares, computadores e uma arma de fogo. O coronel Valmor Racorti, responsável pelo Policiamento de Choque, comentou sobre a evolução das facções criminosas, que, segundo ele, agora buscam atuar em diversas frentes, incluindo a economia legal e o ambiente político.
As apurações começaram com suspeitas sobre casas de jogos localizadas na Baixada Santista e a utilização de máquinas de crédito e débito. As investigações revelaram que dois postos de combustíveis estavam ligados à lavagem de dinheiro, o que levou à identificação de um grupo criminoso que operava não apenas por meio dos postos, mas também através de uma rede de motéis e empresas de fachada que movimentaram grandes quantias.
O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, enfatizou a importância de implementar medidas para aumentar o controle sobre a importação de petróleo e seus derivados, com o intuito de combater essa infiltração. As investigações também revelaram a conexão do grupo criminoso com o setor hoteleiro e a participação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A Operação Spare mobilizou 110 policiais militares do Comando de Choque e várias unidades especializadas, além de agentes da Receita Federal e membros da Procuradoria-Geral do Estado e Secretaria da Fazenda.



