O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, lançou neste sábado em São Paulo o livro Capitalismo Superindustrial, publicado pela Companhia das Letras. O evento ocorreu no Sesc 14 Bis e teve participação de Celso Rocha de Barros, com mediação de Lilia Schwarcz.
A obra propõe uma análise do modelo global que Haddad chama de capitalismo superindustrial, caracterizado por maior competição e elevação das desigualdades. Entre os temas abordados estão a acumulação primitiva de capital na periferia do sistema, a incorporação do conhecimento como fator de produção e as novas configurações de classe.
O livro reúne estudos de economia política e sobre a natureza do sistema soviético escritos pelo autor nas décadas de 1980 e 1990, agora revisados e ampliados. Também dedica espaço às implicações do crescimento da China como potência global.
Na parte dedicada à história brasileira, o autor situa transformações políticas do fim do século XIX como pano de fundo para sua interpretação sobre o papel do Estado e das elites no país. A análise relaciona o período pós-abolição a configurações duradouras de poder e domínio estatal.
Quanto aos processos ocorridos no Oriente, a obra busca identificar padrões próprios de acumulação que não se confundem com a escravidão nas Américas nem com a servidão no Leste Europeu. O autor distingue essas trajetórias por trajetórias antissistêmicas e antiimperialistas que, segundo o livro, combinaram coerção interna com resultados industrializantes externos.
O texto avalia que essas dinâmicas promoveram avanços nas forças produtivas, na mercantilização da terra, do trabalho e da ciência, ao mesmo tempo em que fraturaram as expectativas ideológicas dos líderes revolucionários.
O lançamento contou com debate sobre os temas do livro, sem trechos ou declarações diretas reproduzidos nesta reportagem.



