quinta-feira, março 26, 2026
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Grande parte da costa fluminense está vulnerável às mudanças climáticas

Cerca de 60% da zona costeira do Rio de Janeiro apresenta níveis intermediários ou altos de vulnerabilidade aos efeitos das mudanças climáticas. É a conclusão de estudo do programa de pós-graduação em Dinâmicas dos Oceanos e da Terra da Universidade Federal Fluminense (UFF), conduzido pelo doutorando Igor Henud e pelo professor Abílio Soares.

O artigo, publicado no International Journal of Disaster Risk Reduction, avaliou a vulnerabilidade costeira a partir de variáveis ambientais e socioeconômicas, como condições espaciais, densidade populacional, infraestrutura logística e áreas prioritárias para conservação.

Os resultados indicam que a degradação dos ecossistemas litorâneos aumenta a exposição a processos erosivos e a inundações provocadas por ondulações oceânicas e tempestades. Com o avanço das mudanças climáticas, a zona costeira tende a se tornar ainda mais suscetível a esses fenômenos, elevando o risco de desastres de longo prazo.

A região Norte do estado e a Baixada Fluminense foram apontadas como as áreas mais críticas. No Norte, características como relevo e correntes marítimas favorecem maior incidência de ondas, o que pode comprometer trechos mesmo onde há cobertura vegetal costeira.

O litoral fluminense tem extensão de 1.160 km, engloba 33 municípios e concentra 83% da população do estado, além de ter papel relevante na economia local. Diante disso, o principal desafio identificado pelo estudo é conciliar desenvolvimento com a proteção de pessoas e ecossistemas.

Como resposta, os pesquisadores recomendam a adoção de soluções baseadas na natureza. Entre as propostas estão a restauração da vegetação nativa, o manejo adaptativo do território e a ampliação de áreas protegidas para reduzir riscos. O estudo destaca o papel de ecossistemas como manguezais na dissipação da energia das ondas e nos serviços ambientais e econômicos que prestam às comunidades locais.

O trabalho ressalta ainda que as medidas devem ser adaptadas às especificidades regionais e que intervenções pontuais já podem diminuir significativamente os riscos. O estudo chama atenção para impactos de empreendimentos imobiliários sem planejamento adequado, que podem gerar migração temporária de trabalhadores e pressões sobre áreas de vegetação se não houver políticas de desenvolvimento local.

Por fim, o artigo defende o mapeamento detalhado das zonas costeiras como base para a formulação de políticas públicas voltadas à proteção ecológica e social. A pesquisa foi supervisionada por Fábio Cardoso.

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