quinta-feira, março 26, 2026
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Formação profissional no Brasil cresce mais de 68% em cinco anos

O Censo Escolar 2025, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Inep na quinta-feira (26) em Manaus, registra crescimento expressivo nas matrículas da educação profissional e tecnológica (EPT). Em cinco anos, o total passou de 1.892.458 alunos, em 2021, para 3.187.976 em 2025, alta de 68,4%.

Segundo o levantamento, a expansão da EPT ganhou ritmo a partir de 2023, impulsionada por políticas públicas voltadas a aproximar o ensino médio do mercado de trabalho.

Programas e investimentos
Entre as ações citadas pelo governo está o Programa Juros por Educação, criado em 2025, integrado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). O programa tem o objetivo de incentivar estados a ampliar vagas gratuitas em cursos técnicos integrados e concomitantes ao ensino médio, incluindo oferta na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), cursos técnicos na forma subsequente, além de investimentos em infraestrutura e formação docente.

Até o momento, 22 estados aderiram ao Propag. O MEC informou previsão de investimento de R$ 8 bilhões neste ano, com expectativa de possibilitar o acréscimo de até 600 mil vagas no ensino técnico do ensino médio em 2026.

Distribuição administrativa
Em 2025, as redes estaduais concentraram 81,7% das matrículas públicas na EPT. A rede federal — composta por institutos federais e unidades técnicas vinculadas a universidades federais — respondeu por 15,4% das matrículas. A rede municipal representou 2,8% do total.

Modalidades e oferta
O Censo detalha os diferentes formatos de oferta dos cursos técnicos. O ensino integrado ao itinerário formativo técnico-profissional (curso técnico junto com o ensino médio) foi o mais procurado, com 1.200.606 matrículas em 2025. O curso técnico subsequente contabilizou 832.032 matrículas. O itinerário formativo articulado (qualificação profissional) registrou 517.422 matrículas. O ensino médio na modalidade magistério teve 32.529 matrículas.

Cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) integrados à EJA no ensino médio somaram mais de 134,9 mil matrículas em 2025.

Desempenho por estado
A média nacional da razão entre matrículas de cursos técnicos articulados e o total de matrículas do ensino médio regular na rede pública ficou em 20,1%.

O Piauí registrou o maior índice de articulação entre ensino médio e educação profissional, com 68,8% na rede pública. Também se destacaram Paraíba (34,7%), Acre (34,1%), Paraná (32,9%) e Espírito Santo (32,5%). Nos menores índices aparecem Amazonas (5,2%) e Distrito Federal (6,9%).

Eixos tecnológicos e cursos mais procurados
Os dados apontam concentração de matrículas em áreas ligadas a gestão e negócios, saúde, informação e comunicação, e controle e processos industriais.

Entre os eixos tecnológicos, o levantamento indica:
– Gestão e negócios: 28,9% das matrículas, com 534.056 na rede pública e 177.015 na privada.
– Ambiente e saúde: 711.071 matrículas, com 177.671 na rede pública e 326.327 na privada.
– Informação e comunicação: 424.628 matrículas, sendo 348.698 na rede pública e 75.930 na privada.
– Controle e processos industriais: 292.383 matrículas, com 159.767 na rede pública e 132.616 na privada.

Os cursos com maior número de alunos foram:
– Administração: 395.059 matrículas (327.924 na rede pública).
– Enfermagem: 298.699 matrículas (241.455 na rede privada).
– Informática: 167.134 matrículas (141.593 na rede pública).
– Desenvolvimento de sistemas: 150.864 matrículas.

Abrangência do Censo
O Censo Escolar 2025 reúne informações sobre escolas, professores, gestores, turmas e alunos de todas as etapas e modalidades da educação básica. Os dados servem de base para formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas e foram disponibilizados pelo Inep como parte da primeira etapa do levantamento.

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