A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan-RJ) estima que o triênio 2026–2028 receberá cerca de 2 mil projetos de investimento, totalizando R$ 526,3 bilhões, segundo o relatório Panorama dos Investimentos divulgado nesta terça-feira (31).
Do montante, 1.882 projetos em andamento ou previstos somam R$ 327,6 bilhões, distribuídos por todas as regiões do estado e por diversos setores. Há ainda 79 iniciativas classificadas como potenciais, com valor estimado em R$ 198,7 bilhões.
O levantamento projeta que, na fase de implementação, será necessário, em média, um contingente anual de cerca de 607 mil trabalhadores para a execução das obras. Na fase operacional, a estimativa é de demanda por cerca de 638 mil postos de trabalho, apontando efeitos mais permanentes no mercado de trabalho. Em termos fiscais, a Firjan calcula arrecadação associada aos investimentos de R$ 6,4 bilhões durante a execução e aproximadamente R$ 3,8 bilhões por ano na fase operacional.
Setores e principais projetos
O setor de energia concentra a maior parte dos recursos mapeados, com R$ 215,7 bilhões — o equivalente a 65,8% do total. O segmento de petróleo e gás natural recebe aportes relevantes de empresas como Petrobras, Shell e Equinor voltados à exploração e produção.
Em infraestrutura, as concessões devem aportar cerca de R$ 41 bilhões ao longo do período. Entre os projetos citados estão as intervenções no corredor Rio–SP, que envolvem a Presidente Dutra (BR‑116) e a Rio–Santos (BR‑101); o corredor Rio–Valadares, com trechos das BR‑116, BR‑465 (antiga Rio–São Paulo) e BR‑493 (Arco Metropolitano); e a nova concessão da BR‑040 (Rio–Juiz de Fora).
No trecho da Serra das Araras, o planejamento prevê implantação de novo traçado para a pista de subida, obra destinada a ampliar a segurança viária e a fluidez do transporte de cargas. O relatório também destaca a renovação da concessão ferroviária da Malha Sudeste, operada pela MRS Logística; investimentos em um novo terminal de minério de ferro no Porto de Itaguaí; aportes em terminais do Porto do Rio de Janeiro; e a segunda fase do anel viário de Campo Grande.
A indústria de transformação acumula cerca de R$ 25,6 bilhões em investimentos. Entre os projetos de maior porte está o Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha do Brasil (Prosub), que prevê a construção de um complexo industrial e a produção de quatro submarinos convencionais e um de propulsão nuclear. Três submarinos convencionais (Riachuelo, Humaitá e Tonelero) já foram incorporados à frota. O quarto convencional, Almirante Karam (antigo Angostura), foi lançado ao mar em novembro de 2025. O lançamento do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear, Álvaro Alberto, está programado para 2034.
No desenvolvimento urbano, o estudo aponta investimentos da ordem de R$ 20,3 bilhões, com destaque para aportes das concessionárias no saneamento. O objetivo é a universalização do abastecimento de água e do esgotamento sanitário em 49 municípios fluminenses ao longo de 12 anos.



