quinta-feira, março 26, 2026
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Fiocruz firma parceria para fabricação de canetas emagrecedoras no Brasil

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica EMS assinaram dois acordos de cooperação para a fabricação de liraglutida e semaglutida, substâncias ativas de medicamentos classificados como agonistas do GLP-1, frequentemente chamados de “canetas emagrecedoras”.

Os contratos estabelecem a transferência de tecnologia necessária para a produção desses ingredientes farmacêuticos ativos (IFA) e, posteriormente, dos medicamentos em si para Farmanguinhos, a unidade técnico-científica da Fiocruz. A produção inicial será realizada na planta da EMS localizada em Hortolândia, São Paulo, até que a tecnologia esteja totalmente transferida para o Complexo Tecnológico de Medicamentos de Farmanguinhos, no Rio de Janeiro.

Esses medicamentos são considerados eficazes, oferecendo uma alternativa inovadora no tratamento de diabetes e obesidade, e representam um avanço importante para a indústria farmacêutica nacional no desenvolvimento de soluções complexas. A EMS destacou que esses acordos marcam um ponto significativo para o setor farmacêutico brasileiro. A Fiocruz também enfatizou que as parcerias entre setores público e privado podem incrementar a inovação e ampliar sua capacidade de produção.

A Farmanguinhos mencionou que esses esforços estão alinhados com a estratégia da Fiocruz de diversificar a produção, incluindo medicamentos injetáveis, o que fortalecerá o Complexo Econômico-Industrial da Saúde.

A partir de junho deste ano, farmácias e drogarias começaram a exigir retenção de receitas para a distribuição de canetas emagrecedoras. Além da semaglutida e da liraglutida, a lista inclui outros medicamentos como dulaglutida, exenatida, tirzepatida e lixisenatida. A decisão de implementar um controle mais rigoroso sobre a prescrição e dispensa desses produtos foi determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril e começou a vigorar 60 dias após a publicação oficial.

A Anvisa informou que essa medida visa proteger a saúde pública, tendo em vista os altos índices de eventos adversos associados ao uso desses medicamentos fora das indicações autorizadas.

Entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Sociedade Brasileira de Diabetes apoiaram a ideia de retenção das receitas, expressando preocupação com o uso indiscriminado desses medicamentos e seu impacto na saúde da população e no acesso a tratamento adequado para os que realmente necessitam.

Em junho, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) lançou uma consulta pública para colher a opinião da população sobre a inclusão da semaglutida nos serviços do sistema de saúde público. As contribuições foram aceitas até o dia 30 de junho e auxiliarão a comissão em sua avaliação quanto à incorporação do medicamento ao Sistema Único de Saúde (SUS). Essa avaliação foi solicitada pela farmacêutica Novo Nordisk, que fabrica o Wegovy, e, em uma análise anterior, a comissão recomendou a não inclusão do medicamento devido ao alto custo estimado em até R$ 7 bilhões em um período de cinco anos.

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