sexta-feira, março 27, 2026
InícioEconomiaFederações divididas sobre continuidade da greve na Petrobras

Federações divididas sobre continuidade da greve na Petrobras

As duas principais federações que reúnem sindicatos da Petrobras mantinham posições divergentes sobre a continuidade da greve no nono dia do movimento, nesta terça-feira (23).

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), que representa 105,4 mil trabalhadores distribuídos em 14 sindicatos, decidiu encaminhar a suspensão da paralisação após o conselho deliberativo aprovar a aceitação da contraproposta apresentada pela Petrobras no domingo (21). A entidade informou que as unidades em greve permanecem paralisadas até a realização das assembleias previstas pelos sindicatos.

Entre os pontos apontados pela FUP como acordados com a empresa estão a garantia de ausência de punições aos grevistas, abono de 50% dos dias parados e desconto dos demais sem reflexos ou a opção por banco de horas. A federação também listou avanços econômicos, sociais e estruturais no Acordo Coletivo de Trabalho, mencionando pagamento de abono, reajustes nos vales alimentação e refeição, criação de auxílio alimentação mensal, redução da participação dos trabalhadores nos custos de transporte e deslocamento, além de melhorias no plano de saúde.

Na manhã desta terça, a Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), aprovou a suspensão do movimento com 89% dos votos.

Contraposição: continuidade da greve

A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que reúne 26 mil trabalhadores de quatro sindicatos, considerou insuficientes as concessões da Petrobras e decidiu manter a paralisação em sessão plenária realizada na terça-feira. A FNP agendou nova assembleia para depois do dia 26 e tem promovido mobilização da categoria por meio das redes sociais.

Abrangência e reivindicações

A greve chegou a atingir nove refinarias, 28 plataformas de produção marítima, 16 terminais operacionais, quatro termelétricas, duas usinas de biodiesel e dez instalações terrestres operacionais.

As principais reivindicações que motivaram a paralisação incluem:
– melhorias no plano de cargos e salários;
– solução para os Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros, o fundo de pensão da categoria;
– defesa da manutenção da Petrobras como empresa pública e de um modelo de negócios voltado ao fortalecimento da estatal (pauta Brasil Soberano).

Petros e prazo para solução

Em carta compromisso enviada aos sindicatos na segunda-feira, a diretoria executiva da Petrobras indicou que a resolução da questão relacionada aos PEDs da Petros demandará um processo que pode durar até oito meses.

Posição da Petrobras

Em nota à Agência Brasil, a Petrobras informou que apresentou no domingo ajustes na proposta de acordo coletivo, contemplando avanços nos principais pleitos sindicais. A empresa afirmou que a medida demonstra compromisso com o entendimento com a categoria e busca a suspensão do movimento grevista.

A estatal também informou que a greve não provocou impacto na produção e que o abastecimento ao mercado segue garantido, com equipes de contingência mobilizadas onde necessário. A companhia declarou ainda que respeita o direito de manifestação dos empregados e mantém-se aberta ao diálogo com as entidades sindicais.

LEIA TAMBÉM

MAIS POPULARES