segunda-feira, março 30, 2026
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Falece ex-Pantera Negra e traz à tona discussão sobre racismo nos Estados Unidos

**Assata Shakur, ativista negra, falece aos 78 anos em Cuba**

Assata Shakur, ex-militante do movimento dos Panteras Negras nos Estados Unidos, faleceu em Havana aos 78 anos. Ela havia vivido em exílio em Cuba por quatro décadas, após ser condenada à prisão perpétua pelo homicídio de um policial em Nova Jersey, em 1973. A informação foi divulgada pelo Ministério de Relações Exteriores de Cuba, que citou problemas de saúde e a idade avançada como causas do falecimento.

A trajetória de Joanne Deborah Chesimard, nome de nascimento de Assata, é emblemática na história dos EUA. Sua figura gerou controvérsias e divisões, sendo vista como uma ícone da luta antirracista por muitos, enquanto o FBI a classificou como uma “terrorista”. Em 2013, ela se tornou a primeira mulher a figurar na lista de terroristas mais procurados, com uma recompensa de US$ 2 milhões pela sua captura.

Após a notícia de sua morte, o Sindicato de Professores de Chicago prestou homenagem à ativista em uma rede social, descrevendo-a como uma lutadora revolucionária e uma líder da liberdade. Em contrapartida, membros do Conselho Municipal de Chicago criticaram a homenagem, e o governador de Nova Jersey, Phil Murphy, expressou sua oposição à repatriação dos restos mortais da ex-Pantera, ressaltando o sacrifício do policial que perdeu a vida no episódio.

A extradição de Shakur foi uma demanda constante dos EUA nas conversas com Cuba para aliviar o embargo econômico que afeta o país há 60 anos. No entanto, o governo cubano nunca concordou em extraditá-la.

Além de ser madrinha do rapper Tupac Shakur, Assata integrou o Exército da Libertação Negra, grupo que foi alvo de repressão durante as décadas de 1960 e 1970. Sua frase marcante, que reflete sua filosofia, sugere que ninguém alcança a liberdade apelando ao senso moral dos opressores.

Em um momento decisivo em 2 de maio de 1973, Shakur e dois parceiros de militância foram abordados pela polícia, resultando na morte do oficial Werner Foerster e de Zayd Shakur. Em 1977, Assata foi condenada por homicídio, mesmo com evidências indicando que outro indivíduo havia sido o autor dos disparos. Em 1979, fugiu do presídio onde alegou ter sido torturada e viveu em escondidos até se exilar em Cuba em 1984.

Advogados e defensores da ativista sustentam que sua condenação foi injusta e refletiu um padrão de perseguição a líderes do movimento negro, em um contexto marcado por ação repressiva do governo dos EUA. O advogado Lennox S. Hinds, por exemplo, destacou como o FBI utilizou campanhas de desinformação e vigilância contra Shakur.

A luta pela memória da ativista se intensifica, especialmente em um período político conturbado nos EUA, onde há tendências de censura em torno da história da escravidão. A administração atual tem pressionado por alterações no conteúdo de exposições que apresentem a escravidão de maneira crítica.

A memória e o legado de Assata Shakur, agora, permanecem no cerne da luta antirracista e da história americana.

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