sexta-feira, abril 3, 2026
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EUA buscam prejudicar Cuba com restrições à exportação de serviços médicos

O Departamento de Estado dos Estados Unidos cancelou, recentemente, os vistos de funcionários brasileiros do programa Mais Médicos, além de representantes de governos africanos, de Granada e de Cuba, e seus familiares. Essas ações estão relacionadas a esforços de cooperação médica que envolvem Cuba, com o objetivo declarado de restringir economicamente o país e bloquear uma de suas principais fontes de renda: a exportação de serviços médicos.

A Casa Branca, que lidera essa iniciativa, busca aumentar o isolamento de Cuba e pressionar o Brasil a mudar seu governo. Este movimento é visto como uma forma de provocação, uma vez que a colaboração médica entre Brasil e Cuba já havia sido uma política polêmica e criticada pela extrema direita nos últimos anos.

O governo dos EUA argumenta que o esquema de cooperação médica “enriquece um regime corrupto”, prejudicando o acesso a cuidados médicos essenciais para o povo cubano. As autoridades afirmam que continuarão a agir em conjunto com outros governos para sancionar esses acordos.

Desde fevereiro, os EUA vêm ameaçando países que colaboram com o sistema de saúde cubano. Atualmente, Cuba mantém 24 mil médicos em 56 nações, e os serviços médicos foram responsáveis por 46% das exportações da ilha em 2019, representando 6% do Produto Interno Bruto (PIB).

O embargo econômico imposto pelos EUA à Cuba, que dura mais de 60 anos, é amplamente criticado pela comunidade internacional como uma violação dos direitos humanos. A Cuba, por sua vez, mantém programas de cooperação médica desde a década de 1960, com uma presença significativa de médicos em diversos países, incluindo Portugal e Algería.

Nos países do Caribe, onde essa cooperação é comum, líderes criticaram a pressão dos EUA. A primeira-ministra de Barbados destacou a importância dos profissionais cubanos durante a pandemia da Covid-19, enfatizando que essa colaboração é fundamental e não deve ser confundida com exploração. Da mesma forma, líderes de Trinidad e Tobago e de São Vicente e Granadinas rejeitaram as acusações dos EUA de tráfico de pessoas e se comprometeram a manter os acordos de colaboração médica.

No Brasil, a suspensão dos vistos para funcionários do Mais Médicos é vista como uma tentativa de intensificar a crise diplomática. Especialistas indicam que essa pressão visa manter o Brasil sob a influência dos EUA, especialmente em um contexto de concorrência comercial com a China.

O programa Mais Médicos, que funcionou de 2013 a 2018, empregou até 11 mil médicos cubanos, e atualmente 2,6 mil ainda estão atuando no Brasil. O programa é bem avaliado pela população e já beneficiou mais de 66,6 milhões de brasileiros. A cobertura de saúde básica aumentou significativamente desde sua implementação, afirmando-se como uma resposta a cerca de 80% dos problemas de saúde da população.

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