domingo, março 29, 2026
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Estudo sugere estratégias de prevenção ao HPV voltadas para a população trans

Uma pesquisa preliminar realizada com indivíduos transgêneros atendidos em centros de referência no Rio de Janeiro e em São Paulo revelou uma alta prevalência de HPV de alto risco, associado ao desenvolvimento de câncer. Este dado reforça a necessidade de implementar ações de prevenção específicas, como a vacinação e testagens regulares.

O estudo, conduzido pela farmacêutica MSD em colaboração com o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, e o Centro de Referência e Treinamento-DST/AIDS de São Paulo, tem como objetivo testar 300 pessoas transgêneros. Até o momento, os dados de 150 participantes indicam que 53,3% estão infectados com algum subtipo do vírus, uma frequência que se aproxima da média nacional.

Dentre essas infecções, 97,5% correspondem a subtipos do HPV que apresentam alto risco de causar câncer. Esse índice é significativamente mais elevado do que o observado na população geral, que varia entre 39,8% e 53,1%.

A análise também revelou que a maioria das infecções ocorreu na região anal, embora casos de HPV genital, oral e cervical também tenham sido identificados. O HPV é amplamente conhecido por sua relação com o câncer de colo de útero, mas pode afetar diversas regiões e causar lesões, potencialmente levando ao câncer.

A pesquisa destaca uma carência de conscientização entre profissionais de saúde, que frequentemente subestimam a necessidade de acompanhamento para HPV em indivíduos transgêneros. Isso levanta a questão da urgência em desenvolver protocolos de rastreamento para o HPV anal, especialmente para aqueles com risco elevado.

Atualmente, o rastreamento de câncer relacionado ao HPV é focado apenas no colo do útero, através de exames como o papanicolau e a coleta de HPV DNA. No entanto, há uma demanda por ampliar esses exames a outras áreas, como a anal, para facilitar a detecção precoce e o tratamento de lesões.

Os dados coletados podem também influenciar mudanças nas diretrizes de vacinação contra o HPV. Atualmente, a vacina é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde para indivíduos entre 9 e 14 anos, com exceções após essa faixa etária apenas para determinados grupos, como pessoas vivendo com HIV e vítimas de violência sexual. A inclusão de indivíduos transgêneros na programação de imunização é vista como uma necessidade crescente, dado o alto risco observado nessa população.

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