domingo, março 29, 2026
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Estudo revela que estudantes do ensino integral apresentam desempenho superior no Enem

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Sonho Grande revelou que alunos de escolas estaduais que oferecem ensino médio integral (EMI) obtiveram desempenho superior no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2024 em comparação aos que frequentam instituições de turno parcial. Para que uma escola seja caracterizada como com EMI, é necessário que a carga horária média seja de pelo menos sete horas diárias ou 35 horas semanais.

A análise dos microdados do Enem 2024, aplicado pelo Inep, encontrou que a maior discrepância de notas se deu na prova de redação. Alunos de escolas com tempo integral superaram em média em 12 pontos seus colegas de turnos parciais nessa disciplina, e essa diferença chega a 27 pontos nas escolas onde 100% das matrículas são na modalidade inteira. O estudo também apontou um desempenho superior em matemática, com uma média de cinco pontos a mais.

O Censo Escolar 2024 destacou que os estados do Nordeste apresentam as maiores proporções de alunos em tempo integral, com Pernambuco (69,6%) liderando, seguido por Ceará (54,6%), Paraíba (54,5%), Piauí (54,1%) e Sergipe (35,2%). Em contraste, o Distrito Federal (6,4%) e Roraima (8,1%) registram as menores taxas.

Na região Nordeste, escolas de tempo integral se destacam pelas altas médias nas quatro áreas avaliadas pelo Enem: linguagens, ciências humanas, ciências da natureza e matemática. A média geral dos estudantes de EMI na região ultrapassa em 18 pontos a de alunos de turno parcial, e na redação, a diferença é ainda maior, chegando a 48 pontos.

Em Pernambuco, a performance dos alunos em escolas 100% integrais é 68 pontos superior na redação em relação aos demais, resultado que é atribuído ao pioneirismo do estado na implementação desse modelo educacional. No Ceará, a discrepância nas notas de redação aumenta para 134 pontos. Entre as 100 escolas cearenses com melhor desempenho no Enem 2024, 98 oferecem ensino médio integral, assim como 89 em Pernambuco e 84 na Paraíba.

O estudo realizado pelos economistas Naercio Menezes Filho e Luciano Salomão, em parceria com o Instituto Natura, reafirma que alunos de escolas em tempo integral têm 16,5% mais participação no Enem que os de meio período, além de notas superiores, especialmente na redação, com uma diferença de 29 pontos.

O desafio para a expansão do ensino integral no Brasil permanece, mesmo com um aumento na matrícula em tempo integral de 18,2% para 22,9% entre 2022 e 2024, ainda abaixo da meta de 25% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Este crescimento, porém, é significativo, passando de 14,1% para 24,2% no ensino médio entre 2020 e 2024.

Principais desafios incluem a necessidade de financiamento público contínuo, apoio a estudantes em situações econômicas desafiadoras e o planejamento das redes de educação para garantir uma oferta consistente de escolas e vagas. O Programa Escola em Tempo Integral, lançado pelo MEC em 2023, busca expandir o acesso a esse modelo, com a meta de 3,2 milhões de novas matrículas até 2026.

A ênfase, conforme destacado por especialistas, deve ir além do aumento da carga horária; é essencial que melhorias pedagógicas acompanhem essa expansão. As evidências apontam que o ensino médio integral gera não apenas melhores resultados acadêmicos, mas também melhores perspectivas profissionais e sociais para os alunos.

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