quarta-feira, março 25, 2026
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Estudo revela que autocracias já superam democracias globalmente

As autocracias se tornaram a forma de governo predominante globalmente, conforme o Relatório da Democracia 2025, elaborado pelo Instituto V-Dem da Universidade de Gotemburgo, na Suécia. Os dados indicam que, ao final de 2024, havia 88 democracias e 91 autocracias, demonstrando uma inversão em relação ao ano anterior. Este instituto publica anualmente uma análise sobre o estado da democracia ao redor do mundo.

A pesquisa classifica como autocracia um regime em que o poder é centralizado em uma única figura ou grupo, caracterizado por escasso controle democrático e restrições a liberdades civis e políticas. Em contrapartida, em um regime democrático, ocorrem eleições multipartidárias, livres e justas, garantindo direitos como sufrágio, liberdade de expressão e associação, além do cumprimento de normas que limitam o poder do Executivo.

O estudo revela que aproximadamente 72% da população mundial, ou cerca de 5,8 bilhões de pessoas, vivem sob regimes autocráticos, a maior proporção desde 1978. A análise considera 179 países em 2024.

Regimes autocráticos são predominantes em regiões como o Oriente Médio, norte da África, Sul e Centro da Ásia e na África Subsaariana. Por outro lado, democracias são mais frequentemente encontradas na Europa Ocidental, na América do Norte, e em partes do Leste Asiático, Pacífico, Europa Oriental e América do Sul.

Entre os principais desafios enfrentados pelas democracias, o relatório destaca a desinformação e a polarização política. A desinformação é utilizada por governos autocráticos para fomentar sentimentos negativos e desconfiança entre a população. A polarização, por sua vez, reduz a confiança nas instituições.

Estudos mostram que a polarização pode servir como um facilitador para a disseminação de desinformação, comprometendo a democracia. Em cenários de alta polarização, cidadãos tendem a trocar princípios democráticos por interesses particulares. A pesquisa cita exemplos marcantes, como o Brexit e as eleições dos EUA em 2016, onde essa dinâmica foi observada.

Além disso, o relatório aponta para um aumento significativo da polarização política em nove países, levando em consideração as eleições de 2024. O cenário político norte-americano é ressaltado como um exemplo de polarização extrema nos debates eleitorais.

O levantamento também revela que a violência política e os ataques à imprensa foram os aspectos mais afetados durante as eleições globais de 2024. Cerca de 14 das 61 eleições realizadas foram marcadas por um aumento na violência, com o México registrando sua eleição mais sangrenta, com pelo menos 37 candidatos assassinados. Também houve tentativas de assassinato de um primeiro-ministro na Eslováquia e do ex-presidente Trump.

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