segunda-feira, março 30, 2026
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Estudo revela que 1 em cada 5 brasileiros já usou drogas ilícitas

Cerca de 18,7% da população brasileira já experimentou substâncias psicoativas ilícitas ao menos uma vez na vida, indica a versão mais recente do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A prevalência entre homens é de 23,9% e entre mulheres, 13,9%.

O estudo aponta que, entre menores de idade, a proporção de meninas que já usou drogas supera a de meninos.

Em relação ao uso no último ano, 8,1% da população — mais de 13 milhões de pessoas — declarou consumo de drogas até 12 meses antes da entrevista. O consumo entre adultos subiu de 6,3% em 2012 para 15,8% em 2023. Entre mulheres adultas, a prevalência passou de 3% para 10,6% no mesmo período.

A pesquisa Lenad III seguiu a metodologia das edições de 2006 e 2012 e foi realizada com 16.608 questionários aplicados a pessoas com 16 anos ou mais entre 2022 e 2023.

O levantamento descreve expansão do consumo, transformação no perfil dos usuários — sobretudo entre adolescentes e mulheres — e crescimento da presença de substâncias sintéticas. As regiões Sul e Sudeste concentram os maiores índices de uso, e o consumo é mais frequente entre jovens de 18 a 34 anos.

Enquanto o uso de cocaína e crack se mostra relativamente estável, há sinais de aumento no consumo de estimulantes sintéticos e alucinógenos, especialmente em contextos recreativos urbanos. Em comparação internacional, o Brasil aparece em posição intermediária quanto à prevalência do uso, mas com elevada carga de transtornos entre usuários, o que sobrecarrega a rede de atenção psicossocial e os serviços de emergência.

Cannabis continua líder entre as drogas ilícitas. Mais de 10 milhões de brasileiros consumiram a substância no último ano (6%). Aproximadamente 28 milhões de pessoas com 14 anos ou mais já experimentaram cannabis ao longo da vida (15,8%), o dobro do verificado em 2012, com aumento mais acentuado entre mulheres.

Entre adolescentes de 14 a 17 anos, pelo menos 1 milhão são usuários esporádicos, metade deles tendo usado no ano anterior à pesquisa. Em comparação com edições anteriores, o consumo caiu entre meninos (de 7,3% para 4,6%) e subiu entre meninas (de 2,1% para 7,9%).

Do total de usuários de cannabis, 54% relataram uso diário por pelo menos duas semanas consecutivas, correspondente a 3,3% da população — mais de 3,9 milhões de pessoas. Cerca de 2 milhões preenchem critérios para dependência, o que equivale a 1,2% da população ou a aproximadamente um em cada três usuários. Em relação a atendimentos de emergência, cerca de 3% dos usuários já buscaram esse tipo de serviço devido ao consumo; entre adolescentes o índice sobe para 7,4%.

O levantamento também registrou crescimento na experimentação de substâncias sintéticas e psicodélicas na última década. O uso de ecstasy passou de 0,76% para 2,20%. Alucinógenos aumentaram de 1,0% para 2,1%, e estimulantes sintéticos (ATS) passaram de 2,7% para 4,6%.

O estudo foi realizado em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senad/MJSP) e a Ipsos Public Affairs.

Segundo os responsáveis pela pesquisa, a maior presença de drogas sintéticas revela um mercado mais complexo e riscos ampliados para consumidores, com impacto especialmente grave entre adolescentes. O material recomenda repensar estratégias preventivas com sensibilidade de gênero, integração à promoção da saúde mental e ações voltadas à redução da violência e da discriminação.

Os pesquisadores ressaltam ainda a necessidade de vigilância epidemiológica contínua em álcool e outras drogas como função permanente do sistema de saúde e de proteção social, e apontam a importância de levantamentos periódicos para orientar políticas públicas e serviços de atendimento.

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