sexta-feira, abril 10, 2026
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Estudo inédito da Fiocruz aponta formas de ampliar prevenção do HIV entre jovens

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia lança nesta sexta-feira (10), em Salvador, um estudo voltado à ampliação da prevenção ao vírus da imunodeficiência humana (HIV) entre adolescentes e jovens de áreas periféricas.

O projeto testará a profilaxia pré-exposição (PrEP) em participantes de 15 a 24 anos, com foco especial em homens gays, travestis e mulheres trans. A PrEP consiste no uso de medicamentos antirretrovirais antes de uma possível exposição ao vírus, com o objetivo de reduzir o risco de infecção.

A pesquisa será conduzida em Salvador e em São Paulo e pretende envolver cerca de 1,4 mil jovens. Em Salvador, a coordenação será da Fiocruz Bahia junto aos professores Laio Magno e Inês Dourado, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em São Paulo, os coordenadores são Alexandre Granjeiro e Márcia Couto, da Faculdade de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP).

O estudo, denominado PrEP na Comunidade (COmPrEP), tem financiamento do National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, e participação da Universidade do Alabama. Há ainda parceria com o Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais e organizações da sociedade civil.

A iniciativa parte da constatação de maior vulnerabilidade de jovens entre 15 e 24 anos à infecção pelo HIV, atribuída em parte a dificuldades de acesso aos serviços de saúde e a situações de estigma e discriminação. Dados do Ministério da Saúde mostram que apenas 0,2% das pessoas que usam PrEP no país têm entre 15 e 19 anos, enquanto a incidência de infecção é mais elevada entre homens nessa faixa etária.

No modelo testado, a oferta de PrEP na comunidade será feita por educadores pares — jovens da própria comunidade treinados e supervisionados por equipes clínicas. Os participantes serão randomizados entre dois modelos de atenção: o tradicional, prestado em unidades de saúde, e o comunitário, mediado por educadores pares com supervisão clínica.

O acompanhamento durará até 12 meses, com avaliação de indicadores como início do uso, adesão e permanência na profilaxia. O estudo-piloto deve ser concluído em junho, com início do recrutamento em campo previsto para setembro/outubro. Já foram mapeados espaços de sociabilidade nos centros de Salvador e São Paulo onde será feita a abordagem dos potenciais participantes. Os resultados finais estão previstos para 2028.

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