sexta-feira, março 27, 2026
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Estudo aponta que cerca de 300 mil idosos no Brasil apresentam algum grau de TEA

A prevalência autodeclarada de Transtorno do Espectro Autista (TEA) entre brasileiros com 60 anos ou mais é de 0,86%, segundo análise do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Esse percentual equivale a cerca de 306.836 pessoas. A taxa é ligeiramente maior entre homens (0,94%) do que entre mulheres (0,81%).

O levantamento da PUCPR foi realizado com base nos dados do Censo Demográfico de 2022. Em âmbito global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 70 milhões de pessoas vivam com algum grau de TEA.

O TEA é classificado como um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por dificuldades persistentes na comunicação e na interação social. Embora o diagnóstico seja comum na infância, a condição acompanha o indivíduo ao longo da vida. Entre idosos, o reconhecimento do transtorno continua limitado, o que afeta tanto o diagnóstico quanto o acesso a tratamentos adequados.

A análise do PPGCS destaca ainda que pessoas idosas no espectro apresentam maior ocorrência de comorbidades psiquiátricas, como ansiedade e depressão, e risco acrescido de declínio cognitivo. Há também indicação de associação com condições clínicas mais frequentes, incluindo doenças cardiovasculares e disfunções metabólicas.

Barreiras ao diagnóstico são apontadas no estudo. Sintomas típicos do TEA na idade avançada — como isolamento social, rigidez comportamental e interesses restritos — podem ser confundidos com sinais de ansiedade, depressão ou demência. A falta de profissionais capacitados e as mudanças nos critérios diagnósticos ao longo do tempo complicam ainda mais a identificação em pessoas idosas.

Os autores ressaltam a necessidade de políticas públicas voltadas à detecção e ao apoio a adultos mais velhos com TEA, além de maior produção científica sobre o transtorno no contexto do envelhecimento.

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