Especialistas chineses destacam a importância da união entre os países que compõem o Brics para impulsionar o desenvolvimento em inteligência artificial (IA) e energias sustentáveis. A China, um dos líderes nesses setores, tem se destacado globalmente, especialmente após o lançamento da IA DeepSeek, que superou o número de acessos do ChatGPT da OpenAI.
Desde o início de 2023, a China estabeleceu a meta de se tornar a principal potência em IA até 2030, ao apresentar vários modelos inovadores. A cooperação entre nações do Sul global é vista como fundamental, abrangendo transferência de tecnologia e desenvolvimento conjunto. A interdependência na utilização de dados gerados por aplicativos e tecnologias é um tema relevante, com muitos países em desenvolvimento contribuindo para o avanço econômico de potências mais desenvolvidas.
O seminário “Diálogo Brasil-China sobre os Brics e Cooperação Global em Finanças, IA e Transição Verde”, realizado no Rio de Janeiro, trouxe à tona a preocupação com a crescente disparidade tecnológica entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Especialistas apontaram que o domínio tecnológico das nações mais ricas impede o avanço de outros países, reduzindo suas oportunidades de desenvolvimento e aumentando a lacuna digital.
A pesquisadora sul-africana Thelela Ngcetane-Vika enfatizou as desigualdades culturais e socioeconômicas que impactam a utilização de novas tecnologias, observando que muitos cidadãos enfrentam problemas de exclusão digital, o que se reflete em disparidades sociais.
No que tange à transição energética, os países do Brics têm papéis diversos, com alguns sendo grandes produtores de combustíveis fósseis e outros investindo em energias renováveis. Dados indicam que os membros do bloco respondem por uma parcela significativa do consumo e produção de carbono, gás natural e petróleo.
A professora Maria Elena Rodriguez, da PUC-Rio, explicou que a diversidade do bloco exige que a discussão sobre transição energética leve em conta as condições históricas, econômicas e geopolíticas de cada país, propondo uma política de cooperação que abranja não só financiamento, mas também tecnologia e conhecimento.
A China, por sua vez, busca fomentar a cooperação internacional, não apenas com países do Sul, mas também com economias avançadas, entendendo isso como uma via que favorece a todos por meio de comércio e investimento.
O Brics, formado por 11 países membros permanentes, incluindo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, também conta com nações parceiras como Irã, Arábia Saudita e Egito. A 17ª Cúpula do Brics, sob a presidência do Brasil, ocorrerá no Rio de Janeiro nos dias 6 e 7 de julho.



