segunda-feira, abril 13, 2026
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Especialistas alertam: vírus sincicial também representa risco para idosos

O vírus sincicial respiratório (VSR) vem ganhando espaço entre os agentes responsáveis por síndromes respiratórias graves no Brasil. No primeiro trimestre de 2025, 18% dos casos de SRAG com identificação viral confirmada foram causados pelo VSR, segundo dados do Ministério da Saúde.

Relatórios da Fiocruz mostram avanço no segundo trimestre: de fevereiro a março o VSR respondeu por 14% dos casos com vírus confirmado, percentual que subiu para 19,9% entre março e abril. Em 2025, por 23 semanas consecutivas, entre março e agosto, o VSR foi o vírus mais prevalente nas notificações.

Levantamentos de laboratórios privados indicam expansão também entre casos leves. Na semana encerrada em 4 de abril, 38% dos testes positivos apontaram VSR — valor 12 pontos percentuais acima do observado na primeira semana de março, de acordo com o Instituto Todos pela Saúde.

Subnotificação e limitação de testes dificultam dimensionar o real impacto da circulação do VSR. No primeiro trimestre, dos cerca de 27,6 mil casos de SRAG registrados, o agente causador foi identificado em apenas 9.079 ocorrências, enquanto quase 17% dos registros não passaram por teste laboratorial. A testagem para VSR passou a ser mais abrangente no país somente após a pandemia de covid-19, o que contribui para a subestimação histórica da doença.

A maior parte dos casos graves por VSR atinge lactentes. De janeiro a março foram notificados 1.651 casos graves; 1.342 deles em crianças menores de dois anos. Entre pessoas com mais de 50 anos, foram confirmados 46 casos graves no período. A detecção em adultos é dificultada pela queda da carga viral após 72 horas, enquanto crianças eliminam o vírus por mais tempo, ampliando a janela diagnóstica.

Óbitos por VSR também foram registrados em diferentes faixas etárias: foram 27 mortes no ano, sendo 17 em crianças de até 2 anos e sete entre pessoas com 65 anos ou mais. Fatores como envelhecimento, doenças crônicas, tabagismo e consumo prolongado de álcool elevam o risco de formas mais graves da infecção.

Estudos e avaliações clínicas apontam riscos adicionais em pacientes idosos e com comorbidades. Há indicação de que o VSR aumenta em 2,7 vezes a probabilidade de pneumonia em idosos e dobra as chances de necessidade de UTI, intubação e óbito quando comparado à influenza. Mais de 60% dos casos graves ligados ao VSR ocorrem em pessoas com doença cardiovascular, e infecções respiratórias virais costumam precipitar eventos cardiovasculares e cerebrovasculares por meio de inflamação sistêmica. Pacientes com diabetes têm maior susceptibilidade a infecções e a formas agravadas da doença. Em portadores de asma grave e DPOC, a internação em UTI eleva em 70% a probabilidade de óbito nos três anos seguintes e acelera a perda da função pulmonar, além de aumentar a chance de reinternação.

A prevenção por vacina já está disponível, mas, no Brasil, imunizantes contra o VSR para adultos são ofertados apenas no setor privado. Pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) do SUS, atualmente há vacinação direcionada a gestantes, com objetivo de proteger os recém-nascidos nos primeiros meses de vida. Entidades médicas recomendam a vacinação para pessoas de 50 a 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir de 70 anos. Especialistas sugerem que sociedades médicas indiquem grupos prioritários à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) para avaliação de inclusão no calendário público.

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