sábado, março 28, 2026
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Emprego no comércio Brasil-China supera crescimento das outras parcerias comerciais

A relação comercial entre Brasil e China tem demonstrado um impacto significativo na criação de empregos formais no Brasil, superando o crescimento gerado por outras parcerias internacionais. Entre 2008 e 2022, as exportações para a China resultaram em um aumento de 62% no número de empregos, a maior taxa quando comparada a Estados Unidos (32,3%), Mercosul (25,1%), União Europeia (22,8%) e demais países da América do Sul (17,4%).

No mesmo período, os postos de trabalho relacionados à importação de produtos chineses cresceram 55,4%, também ultrapassando os números de importações provenientes da América do Sul (21,7%), União Europeia (21%), Estados Unidos (8,7%) e Mercosul (0,3%).

Esses dados foram revelados no relatório intitulado “Análise Socioeconômica do Comércio Brasil-China”, lançado recentemente pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) em colaboração com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O CEBC, uma entidade sem fins lucrativos, atua na promoção do diálogo entre as empresas dos dois países. A pesquisa considerou o Mercosul com foco em Argentina, Paraguai e Uruguai.

A pesquisa indicou que a parceria com a China constitui a maior fonte de emprego no setor de importação, totalizando mais de 5,5 milhões de postos de trabalho, uma diferença de 145 mil em relação à União Europeia. O comércio entre Brasil e China registrou, em 2022, um número recorde de empregos desde o início do levantamento em 2008.

Por outro lado, as atividades de exportação para a China empregaram mais de 2 milhões de pessoas, embora essa cifra represente o maior aumento desde 2008 (+62%), sua performance em comparação ao total de empregos em outras parcerias é inferior. Em termos absolutos, os empregos das exportações para a China estão atrás dos números do Mercosul (3,8 milhões), União Europeia (3,6 milhões), América do Sul (3,5 milhões) e Estados Unidos (3,4 milhões).

O estudo também coletou informações sobre os postos de trabalho a partir da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que reúne dados enviados pelas empresas ao Ministério do Trabalho e Emprego, abrangendo apenas empregos formais. O CEBP detalha os empregos entre importadoras e exportadoras para evitar duplicidades, visto que algumas empresas operam em ambos os segmentos.

Em 2024, a China consolidou-se como o principal parceiro econômico do Brasil, sendo responsável por 28% das exportações e 24% das importações brasileiras. O Brasil acumulou, ao longo de dez anos, um superávit de US$ 276 bilhões nas relações com o país asiático, o que corresponde a 51% do superávit total com o resto do mundo no mesmo período.

Os autores do estudo destacam que a relação comercial com a China é crucial não apenas no comércio exterior, mas também como um pilar para a estabilidade macroeconômica do Brasil. A permanência desse superávit tem contribuído para reduzir a vulnerabilidade externa e aumentar as reservas internacionais.

O futuro dessa relação deve ser pautado por confiança e diversificação nas exportações, além da promoção da sustentabilidade e inclusão socioeconômica. A colaboração mútua entre Brasil e China pode facilitar o acesso a um mercado consumidor abrangente e garantir a troca de produtos essenciais para ambas as economias.

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