Em reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta segunda-feira (5), o embaixador do Brasil junto às Nações Unidas, Sérgio Danese, comentou a intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela que, segundo relatos, resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro no sábado (4).
O representante brasileiro afirmou que a ação configura violação da Carta da ONU e do direito internacional, posição que, segundo ele, já havia sido divulgada pelo governo brasileiro em 3 de janeiro.
Danese destacou que o Brasil não vê a criação de protetorados como solução para a crise venezuelana e defende alternativas que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano dentro dos limites da Constituição do país.
No discurso, o embaixador pediu uma reação do Conselho de Segurança baseada na defesa do direito internacional, com o objetivo de evitar que a força se sobreponha ao Estado de Direito.
O governo brasileiro também advertiu para o risco de que operações desse tipo estabeleçam um precedente perigoso, capaz de enfraquecer mecanismos de governança e cooperação internacionais e ampliar conflitos armados.
Segundo a delegação brasileira, ações como a atribuída aos Estados Unidos ameaçam o multilateralismo e podem prejudicar instituições e normas internacionais consideradas universais e obrigatórias pelo Brasil.
Ainda em seu pronunciamento, o embaixador qualificou o episódio como inédito e alarmante, ressaltando que um ataque à soberania de qualquer país tem repercussões para toda a comunidade internacional.
A posição apresentada no Conselho de Segurança reafirma o entendimento oficial do Brasil sobre os eventos recentes na Venezuela e a necessidade de respostas multilaterais que preservem a legalidade internacional.



