sábado, março 28, 2026
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Embaixada dos EUA no Brasil faz advertência a Alexandre de Moraes

A embaixada dos Estados Unidos no Brasil emitiu um aviso nesta terça-feira (9) ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, informando que tomará “medidas cabíveis”. Moraes é responsável pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus envolvidos em uma suposta tentativa de golpe para anular os resultados das eleições presidenciais de 2022 e impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

No comunicado, a embaixada ressalta que continuará a agir contra os “abusos de autoridade” que, segundo a representação diplomática, têm comprometido as liberdades fundamentais. Em 8 de agosto, houve uma acusação anterior contra Moraes, em que a embaixada o rotulou como “principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro e seus apoiadores”, citando violação de direitos humanos.

Além disso, a embaixada alertou os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas governamentais a não apoiarem suas decisões, sob pena de sanções. Em resposta, o Itamaraty convocou o encarregado de negócios da embaixada, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos sobre as ameaças do governo norte-americano.

A postagem desta manhã da embaixada é uma republicação de um texto do subsecretário de Diplomacia Pública do Departamento de Estado dos EUA, Darren Beattie. Esse texto, divulgado na véspera, coincidia com a retomada do julgamento que investiga o esquema golpista.

Beattie mencionou o 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, quando diversas cidades brasileiras realizaram desfiles cívico-militares. O presidente Lula esteve presente em um evento na Esplanada dos Ministérios, onde palavras de ordem pediam “sem anistia”. A celebração buscou reafirmar a soberania nacional, mas também ocorreu com manifestações a favor da anistia para os envolvidos em ataques aos edifícios dos Três Poderes.

Na mensagem, Beattie afirmou que a Independência do Brasil serviu como um “lembrete” do compromisso dos EUA em apoiar a população brasileira na defesa dos valores de liberdade e justiça.

A declaração da embaixada gerou reações diversas nas redes sociais. Enquanto alguns internautas demonstraram apoio à postura americana, a maioria classificou a ação como uma interferência indevida nos assuntos internos do Brasil. Um usuário questionou um chatbot sobre se a atitude da embaixada não configurava uma invasão à política externa brasileira, o que foi confirmado pelo assistente digital, que apontou que muitos consideram essa intervenção como uma violação da soberania nacional.

A Agência Brasil contatou a assessoria do ministro Alexandre de Moraes e aguarda uma resposta.

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