quarta-feira, março 25, 2026
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Em 2025, Brasil registra a segunda maior saída de dólares da história

O Brasil registrou em 2025 a segunda maior saída líquida de dólares desde 1982, segundo dados preliminares divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (7). O fluxo cambial total encerrou o ano negativo em US$ 33,316 bilhões, ficando atrás apenas de 2019, quando a saída foi de US$ 44,768 bilhões.

O movimento foi puxado principalmente pela conta financeira, que apontou saída líquida de US$ 82,467 bilhões em 2025, a segunda maior da série histórica, perdendo só para 2024. Essa conta inclui investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucros, pagamentos de juros e outras operações financeiras.

Em contrapartida, o fluxo comercial registrou entrada líquida de US$ 49,151 bilhões, valor insuficiente para compensar a evasão pelo canal financeiro. O saldo comercial ficou abaixo do pico de 2007 e também inferior ao observado em 2024.

O Banco Central apontou que a menor entrada de dólares pela via comercial foi influenciada pelo avanço das importações. O câmbio contratado para compras externas atingiu US$ 238 bilhões, o segundo maior da série, atrás apenas de 2022. As exportações somaram US$ 287,5 bilhões no ano.

Apesar da saída relevante de dólares no mercado à vista, o real apresentou apreciação ao longo de 2025. Juros domésticos elevados e a queda do dólar no mercado internacional atraíram posições favoráveis à moeda brasileira em mercados derivados, ajudando a neutralizar o impacto do fluxo cambial negativo.

A atuação do Banco Central no mercado à vista foi limitada. A autoridade realizou apenas duas intervenções de US$ 1 bilhão cada, por meio de uma operação que combina a venda de dólares das reservas com compras equivalentes no mercado futuro, mecanismo que busca aliviar a taxa de juros em dólar sem alterar diretamente o câmbio à vista.

Em dezembro, o fluxo cambial foi negativo em US$ 13,562 bilhões, montante menor que o registrado em igual mês de 2024 (US$ 27 bilhões). O resultado de dezembro refletiu saída de US$ 20,982 bilhões pela conta financeira, parcialmente compensada por entrada de US$ 7,421 bilhões pela conta comercial.

O mês de dezembro concentra tradicionalmente remessas ao exterior para pagamento de dividendos. Em 2025, essas remessas foram intensificadas por empresas e investidores que anteciparam envios diante do fim da isenção do imposto de renda sobre remessas internacionais, que passou a ser tributada a partir de janeiro de 2026.

O Banco Central divulga mensalmente o balanço de pagamentos, que mede as relações monetárias e financeiras entre residentes e não residentes. O fluxo cambial funciona como uma prévia desses números, ao incorporar adiantamentos de contratos de câmbio e pagamentos antecipados. Os dados de 2025 indicam que a fuga de dólares ocorreu predominantemente pelo canal financeiro.

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