segunda-feira, março 30, 2026
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Educação como um direito universal, defende especialista

A redução das desigualdades na educação de crianças e jovens no Brasil envolve a superação de estruturais enraizados no país, caracterizados pela naturalização das disparidades. Essa análise parte de especialistas em políticas públicas, que enfatizam a necessidade de compreender os fatores que resultam em baixo desempenho escolar.

De acordo com dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, elaborado por organizações como Todos pela Educação e Fundação Santillana, a aprendizagem dos 20% mais pobres apresenta números alarmantes. Apenas 2,4% dos estudantes do 3º ano do ensino médio alcançaram nível adequado em matemática e língua portuguesa em 2023, em contraste com 16,3% entre os 20% mais ricos. As pesquisas evidenciam grandes disparidades, especialmente entre áreas urbanas e rurais e entre diferentes segmentos socioeconômicos, com diferenças de até 20 pontos percentuais em algumas regiões.

Além das questões socioeconômicas, a educação brasileira enfrenta também desafios relacionados ao racismo e à situação das comunidades rurais. A população negra ainda enfrenta desvantagens significativas, enquanto o fechamento de 16 mil escolas municipais no campo entre 2014 e 2024 agrava a situação. Esse cenário obriga muitas famílias a deixar suas terras em busca de opções educativas nas cidades, o que contribui para o aumento da concentração fundiária e a perda da agricultura familiar.

No que diz respeito à comparação entre redes de ensino, apenas 4,5% dos alunos de escolas públicas do 3º ano do ensino médio mostraram aprendizado adequado, enquanto nas instituições privadas esse índice alcançou 28%. Embora as escolas privadas apresentem resultados melhores, ainda assim enfrentam dificuldades em alcançar performances satisfatórias em relação aos padrões internacionais.

Apesar das conquistas históricas em termos de acesso à educação — com 95% das crianças ingressando na pré-escola —, o sistema ainda enfrenta questões críticas, como a necessidade de maior financiamento e valorização dos professores. Com quase 50% dos docentes das redes estaduais em contratos temporários, a continuidade na formação da equipe escolar se torna um desafio significativo.

Para uma verdadeira transformação educacional, é fundamental que a política educacional reconheça e valorize a diversidade regional, evitando uma padronização que possa limitar a adaptação às realidades locais. A busca pela equidade na educação deve buscar atender às especificidades de cada região, o que poderia melhorar os resultados educacionais em todo o país.

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