A Secretaria de Saúde do Distrito Federal confirmou a detecção de dois casos de raiva em morcegos. No dia 5 de outubro, um laudo laboratorial confirmou a presença do vírus em um morcego coletado na região de Sobradinho. Três dias antes, um outro morcego, coletado em Planaltina, também testou positivo para a doença.
Os morcegos em questão pertencem à espécie Artibeus lituratus, popularmente conhecida como morcego-da-cara-branca, que se alimenta de frutas. A Secretaria de Saúde informou que os animais que testaram positivo tiveram contato apenas com cães, sem relatos de exposição humana.
Em função do atual cenário epidemiológico, a secretaria ressaltou a necessidade de aumentar as medidas de prevenção, vigilância e controle, dada a alta taxa de letalidade da raiva, que chega a quase 100%. Nos próximos dias, a vigilância sanitária iniciará a instalação de armadilhas para morcegos, com o objetivo de realizar estudos adicionais.
A secretária também orientou os moradores a comunicarem quaisquer avistamentos de morcegos em áreas comuns ou residenciais, para que possam ser tomadas as medidas apropriadas. Algumas recomendações importantes foram divulgadas, incluindo:
– Contatar a equipe de zoonoses pelos telefones (61) 3449-4432/4434 ou pelo Disque Saúde (160) ao encontrarem morcegos ou animais silvestres caídos, evitando manipulá-los.
– Realizar a vacinação anual de cães e gatos, promovida pela secretaria, além da vacinação de rebanhos, coordenada pela Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural.
– Evitar o contato com animais silvestres, pois a presença do vírus em fauna selvagem pode ser imprevisível, e não há garantias de que os animais estejam saudáveis.
– No caso de mordidas ou arranhaduras por morcegos ou animais silvestres, é fundamental lavar a ferida com água e sabão e buscar atendimento em uma unidade de saúde para avaliar a necessidade de vacina.
A raiva é desencadeada por um vírus do gênero Lyssavirus, causando encefalite progressiva e fatal em mamíferos, incluindo humanos. O vírus é transmitido por meio da saliva de animais infectados, através de mordidas ou arranhões. Uma vez que o vírus atinge as terminações nervosas, ele se propaga em direção ao cérebro. O quadro neurológico, uma vez instalado, quase sempre resulta em morte, e não existem tratamentos eficazes; apenas cinco casos de cura foram documentados globalmente, acompanhados de sequelas graves.
A única forma eficaz de controle da raiva em humanos é a profilaxia com vacina e soro, de acordo com as diretrizes internacionais e do Ministério da Saúde.



