segunda-feira, março 30, 2026
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Desnutrição infantil em Gaza atinge níveis alarmantes em agosto, revela Unicef

A desnutrição infantil na Faixa de Gaza tem aumentado de forma preocupante. Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam que, em agosto, a taxa de crianças com desnutrição aguda alcançou 13,5%, em comparação com 8,3% em julho. Em algumas áreas, como a Cidade de Gaza, essa porcentagem subiu para 19%, o que evidencia a gravidade da situação.

Mais de 500 mil pessoas em Gaza estão enfrentando fome e inanição, segundo a Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar (IPC), divulgada em 22 de agosto. As condições de fome devem se agravar não só em Gaza, mas também nas províncias de Deir Al Balah e Khan Younis nas próximas semanas.

Em agosto, cerca de 12,8 mil crianças foram diagnosticadas com desnutrição severa, um número que poderia ser maior se não houvesse o fechamento de dez centros de tratamento ambulatorial na Cidade de Gaza e no norte da região, em decorrência de ordens de evacuação e operações militares em curso. Em julho, o número de crianças diagnosticadas foi de 13 mil, quando a capacidade de triagem era significativamente maior.

A porcentagem de crianças internadas por desnutrição aguda grave também tem aumentado. Em agosto, esse número chegou a 23%, em comparação com 12% no início do ano. A situação se agrava com o colapso dos serviços essenciais em Gaza, tornando as condições cada vez mais críticas para a população.

A ONU destaca que mulheres grávidas e lactantes estão entre os grupos mais afetados pela escassez de alimentos. Profissionais de saúde têm sido forçados a reduzir os serviços de nutrição, aumentando os riscos para mães e bebês, com um em cada cinco bebês nascendo prematuro ou com baixo peso.

O Unicef tem trabalhado para aumentar a entrada e a distribuição de suprimentos nutricionais em cerca de 140 locais em todo o território de Gaza. Embora os estoques de Alimentos Terapêuticos Prontos para Uso estejam suficientes para tratar a estimativa de casos graves até o final do ano, a fome continua a afetar a população.

A ONU enfatiza a necessidade de um aumento urgente na ajuda alimentar e a melhora na entrega e acessibilidade dos suprimentos essenciais. A restauração dos serviços de saúde e a reabertura de centros são fundamentais para evitar consequências ainda mais severas da fome.

Os apelos incluem a solicitação de um cessar-fogo imediato e o respeito às obrigações sob o direito internacional, garantindo a proteção de civis e da infraestrutura essencial, como hospitais e centros nutricionais. A ONU pede que Israel permita a entrada de assistência humanitária e exige a libertação de reféns por grupos armados.

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