Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificaram que áreas desmatadas na Amazônia apresentam elevação média de 3°C durante as estações secas em comparação com trechos intactos da floresta. A análise, baseada em dados de satélite, também apontou redução na evapotranspiração e na pluviosidade nessas regiões.
O estudo comparou características climáticas entre áreas com alta cobertura florestal e zonas fortemente desmatadas. Foram observadas quedas de 12% na evapotranspiração e de 25% no volume de chuvas. Em média, as áreas mais degradadas registraram 11 dias a menos de precipitação por ano.
Os resultados foram publicados na revista Communications Earth & Environment.
Desmatamento e perda de território
Embora o desmatamento tenha recuado nos últimos três anos, a Amazônia brasileira segue em nível preocupante. A Coleção 10 do MapBiomas indica que mais de 520 mil km² foram convertidos entre 1985 e 2024 — uma área superior à da Espanha. As principais atividades responsáveis pela ocupação são pecuária, agricultura e mineração.
O Inpe também detectou a remoção de mais de 6 mil km² na Amazônia Legal, região onde é obrigatória a preservação de 80% da vegetação nativa nas propriedades privadas.
Impactos ambientais e agrícolas
As alterações climáticas decorrentes do desmatamento comprometem a biodiversidade local, contribuindo para a mortalidade de espécies mais sensíveis às mudanças no ambiente. O estudo alerta ainda para o aumento do risco de estresse climático sobre a produção agrícola e a potencial intensificação de eventos extremos, como ondas de calor e secas.
Contexto climático recente
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou que 2025 ficou entre os anos mais quentes no histórico de temperatura do país. No ranking nacional, 2024 e 2023 figuram como primeiro e segundo anos mais quentes, respectivamente, na série que cobre o período de 1961 a 2024.
Políticas e propostas
Na COP30, o governo brasileiro participou da formulação de duas iniciativas voltadas ao combate ao desmatamento: o Mapa do Caminho, que estabelece diretrizes para reduzir emissões de gases de efeito estufa; e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, proposta de financiamento multinacional para remunerar países pela conservação de florestas tropicais.
Como soluções, o estudo destaca a importância do reflorestamento e da redução do consumo de combustíveis fósseis para recuperar o equilíbrio climático e reduzir impactos ambientais.



