domingo, abril 5, 2026
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Desafios do hidrogênio verde para alcançar seu potencial energético

A produção de aço, essencial na construção de infraestruturas urbanas, é responsável por uma quantidade significativa de emissões de dióxido de carbono (CO₂), um dos principais gases poluentes. Essa preocupação levou a engenheira química Patrícia Metolina a desenvolver uma abordagem inovadora para tornar as indústrias siderúrgicas menos poluentes, utilizando hidrogênio verde na transformação do minério de ferro em aço.

A pesquisa de Metolina, que recebeu reconhecimento na Universidade de São Paulo (USP), destaca o hidrogênio como uma solução estratégica para a transição energética frente às mudanças climáticas. Embora o Brasil ainda não tenha adotado essa tecnologia em suas siderúrgicas, há exemplos internacionais, como um projeto piloto na Suécia, que demonstrou a viabilidade industrial dessa abordagem.

Recentemente, o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançaram o Portal Brasileiro de Hidrogênio. Essa plataforma visa fornecer informações sobre o setor de hidrogênio no Brasil e atrair novos investidores.

O hidrogênio verde é produzido a partir de energias renováveis, como hidrelétrica, solar e eólica. O processo envolve a eletrólise da água, separando hidrogênio (H₂) e oxigênio (O₂). Esse hidrogênio pode ser utilizado como combustível em diversos setores, incluindo a indústria da aviação, embarcações, caminhões e na produção de fertilizantes nitrogenados e aço.

Tradicionalmente, a produção de aço começa com a extração do minério de ferro, que é processado em altos-fornos que utilizam coque de carvão, resultando em emissões consideráveis de CO₂. Dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) indicam que a indústria siderúrgica contribui com cerca de 33% das emissões industriais de CO₂ e com aproximadamente 7% das emissões globais, conforme a Agência Internacional de Energia (IEA).

A pesquisa de Metolina propõe substituir o coque de carvão pelo hidrogênio verde, resultando apenas em vapor d’água como subproduto. O Brasil possui vantagens estratégicas para a produção de hidrogênio, especialmente em regiões como o Nordeste, onde a energia eólica é abundante.

A demanda global por hidrogênio deve quintuplicar até 2050, de acordo com estimativas do Hydrogen Council, que também apontam cerca de 1.500 projetos de hidrogênio limpo em desenvolvimento ao redor do mundo. A América Latina, especialmente o Brasil, destaca-se pelo seu potencial em energias renováveis, atraindo investimentos significativos.

Os principais projetos em andamento no Brasil estão concentrados no Complexo de Pecém, no Ceará, além de iniciativas em Minas Gerais e Pernambuco. A Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) identifica cinco projetos com grande potencial econômico, todos com previsão de iniciar as operações até 2026.

Entretanto, a implementação do hidrogênio verde enfrenta vários desafios, incluindo altos custos de produção devido à infraestrutura necessária, falta de logística para transporte e armazenamento, e a necessidade de um marco regulatório claro. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) experimenta dificuldades em seus projetos de hidrogênio verde, que começaram com um financiamento internacional e culminaram na inauguração de uma planta em agosto de 2023.

A produção e a qualidade do hidrogênio gerado na UFRJ não atenderam completamente os padrões exigidos, e a universidade enfrenta desafios na manutenção dos equipamentos, evidenciando a necessidade de crescimento na indústria nacional de eletrolisadores. À medida que o Brasil se prepara para a COP30, a expectativa é que novos investimentos possam impulsionar as pesquisas e a produção de hidrogênio verde no país, que possui condições favoráveis para sua produção a um custo competitivo.

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