Cuba completou três meses sem receber cargas de combustível, em meio a um bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos que prevê sanções a países que vendam petróleo à ilha.
Em coletiva em Havana, o presidente Miguel Díaz-Canel informou que alguns municípios chegam a ficar até 30 horas sem energia. Cerca de 80% da eletricidade cubana é gerada por termelétricas movidas a combustíveis fósseis, o que torna o país dependente de importações.
Autoridades cubanas apontam que a nova política do governo dos EUA dificultou a aquisição de petróleo no mercado internacional. Esse cenário foi agravado, segundo o governo de Havana, pelo bloqueio naval dos EUA à Venezuela iniciado no final de 2025.
Nos últimos dias, Havana iniciou conversações preliminares com representantes dos Estados Unidos, em negociações que, de acordo com o governo cubano, foram facilitadas por atores internacionais. O governo informou ter manifestado vontade de manter o diálogo sob princípios de igualdade, respeito à soberania e autodeterminação.
O governo dos EUA, sob a administração de Donald Trump, tem endurecido a pressão sobre Cuba. Em 29 de janeiro, o presidente norte-americano emitiu uma ordem executiva que classificou Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos EUA e prevê a imposição de tarifas comerciais a países que forneçam petróleo à ilha.
Para mitigar os efeitos da escassez de combustível, o Executivo cubano vem adotando várias medidas: aumento da produção interna de petróleo, expansão de usinas solares, incentivo ao uso de veículos elétricos e geração diurna com petróleo bruto nacional e termelétricas. O governo também afirma que fontes renováveis têm contribuído com percentual significativo da geração diurna, estimado entre 49% e 51%.
Essas medidas reduziram parcialmente a frequência dos apagões, mas a ilha ainda depende de combustíveis importados para manter serviços essenciais, como saúde, educação, transporte e a própria distribuição de energia. Autoridades relatam atrasos e cancelamentos de procedimentos médicos devido à falta de eletricidade, afetando um número relevante de pacientes, inclusive crianças.
A crise energética tem impacto mais severo nas províncias interiores de Cuba, onde os cortes de energia podem se estender por grande parte do dia. Nos últimos meses também foram registrados aumentos de preços de produtos básicos, redução do transporte público e diminuição da oferta da cesta básica subsidiada pelo Estado.
O endurecimento do cerco econômico aos cubanos é parte de uma estratégia dos EUA para pressionar o governo liderado pelo Partido Comunista, que permanece no poder desde a Revolução de 1959. O embargo norte-americano contra Cuba já dura 66 anos, com medidas iniciadas logo após aquele processo histórico.



