Entre janeiro e setembro de 2023, o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) aprovou operações de crédito que somaram R$ 230 bilhões. Esse montante inclui empréstimos diretos e garantias concedidas a projetos de outras instituições. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, houve um aumento de 39%. As micro, pequenas e médias empresas foram as principais beneficiárias, respondendo por 67% desse total, o que equivale a R$ 155,1 bilhões, com R$ 91,3 bilhões oriundos de garantias e R$ 63,7 bilhões em crédito efetivo.
O balanço operacional e financeiro do banco foi divulgado nesta sexta-feira (14), revelando que a carteira total de crédito atingiu R$ 616 bilhões, apresentando um crescimento de 12% em relação ao terceiro trimestre de 2022. Este é o maior valor registrado nos últimos nove anos. Os desembolsos totalizaram R$ 101,9 bilhões, com um crescimento de 17% no mesmo período.
O setor industrial destacou-se, com um aumento de 50% nos repasses, totalizando R$ 27,3 bilhões, valor que superou os R$ 24,9 bilhões destinados ao agronegócio. Todos os setores, exceto infraestrutura, apresentaram crescimento nas aprovações e desembolsos. Na infraestrutura, houve uma redução de 10% nas aprovações, enquanto os desembolsos se mantiveram estáveis.
O presidente do BNDES, Aloísio Mercadante, comentou que o desinteresse por novas operações é, em parte, consequência de incertezas relacionadas a investimentos, provocadas por políticas econômicas dos Estados Unidos. Ele também anunciou que um grande projeto será revelado na próxima semana, o que deve impactar positivamente o balanço anual da instituição.
Em relação aos resultados financeiros do banco, o lucro recorrente aumentou 14%, atingindo R$ 11,2 bilhões. No entanto, o lucro líquido registrou uma queda de 9%, totalizando R$ 17,2 bilhões. Essa redução se deve, em grande parte, à diminuição de 54% nos dividendos recebidos do acionista Petrobras. Apesar disso, o presidente do banco considerou o resultado “extraordinário”, dadas as circunstâncias.
Os ativos totais do BNDES continuam em crescimento, alcançando R$ 905,8 bilhões em setembro, aproximando-se da marca de R$ 1 trilhão, um nível que a instituição já havia atingido anteriormente e que pretende recuperar sob a atual gestão.



